
"Não tem explicação, explicação não tem. Sem explicação, explicação. Não tem explicação, não tem explicação, não tem não tem" (Na voz da Cássia)
Em alguns momentos da vida, pode-se chegar a implorar o amor, a atenção, uma resposta qualquer que seja àquela carta escrita. Acho que hoje talvez isso seja amenizado depois da película à que assisti.
Tenho andado angustiada, à procura de respostas para interrogações que eu mesma faço, explicações sobre fatos que não deveriam mais ter importância. Mas o amor é importante. O cuidado é importante.
Meu tempo vago tem se resumido a ler os livros, cuidar dos felinos, assistir uns filmes, no vídeo ou no cinema. Nessa onda, fui assistir ao “Biutiful”. Na primeira vez que havia tentado fazer isso, os ingressos haviam esgotado. Dessa vez, consegui.
Foi, sem dúvida o melhor filme dos últimos tempos. A mensagem que eu tirei do filme para minha vida, em especial, nesse dado momento – entre as muitas reflexões que essa projeção me proporcionou – foi de que diante de uma situação, na qual sabe-se que o fim está próximo, tentamos rever as atitudes, mudar posturas incorretas, contribuir para a paz e a harmonia. E mais do que isso tudo, amar. Mas amar a quem nos ama. Tenho vivido esperando por um amor que não virá. Talvez um amor que não tenha acontecido. Apenas uma vã ilusão de amor. Lutando por um sentimento de carinho, mas que talvez nem tenha chegado a ser amor.
Chora daqui, sofre dali, fica à espera de algo que no fundo, sabe-se que não vai chegar, mas não se quer deixar passar.
O protagonista do filme descobre que tem pouco tempo de vida e tenta reverter o jogo, de modo a limpar sua consciência, perdoar os erros das pessoas que ama, não se prender à pequeninices, enfrentar os desmandos do sistema. E Javier Barden faz isso com maestria. Mais uma vez, ele nos apresenta sua arte e emociona. O filme trata da questão existencial da morte, mas também de questões essenciais para se pensar no dia de hoje, como a migração de africanos e asiáticos rumo à Europa, a fim de amenizar as dores sociais de seus países de origem – como se isso fosse trazer tranqüilidade e satisfação.
A vida é tão curta para darmos valor a quem não nos dá valor que não vale a pena gastar energia com isso. Buscamos, procuramos, imploramos, sem ao menos, sequer tocar o coração daquela outra pessoa.
Tento buscar explicações e respostas para o silêncio, entretanto, não encontro. Porque talvez elas não existam mesmo. Melhor é seguir em frente, continuar com o barco a navegar, dessa vez sem paradas, numa viagem ininterrupta, rumo ao sol que brilha. Talvez essa seja a resposta. Há coisas mais importantes nesse momento do que perder tempo esperando por algo que não vai chegar. Minha dores foram amenizadas. Salve, Iñárritu.
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