terça-feira, 31 de maio de 2011

"Eu gosto de você"




Dia desses, recebi um email, do tipo com apresentações em PPS e que a gente não dá muita bola. No meu caso, dependendo do dia, da hora e do momento, eu abro. Em outros, descarto.

Esse eu resolvi ler. Falava sobre a importância das pessoas expressarem seus sentimentos, no momento em que sentem, dizer a quem se ama que se ama. Na minha vida, isso se manifesta de forma bastante particular.

Fui criada com muito amor e carinho, mas não havia aquelas demonstrações de afeto, beijos, abraços e declarações de amor. Com meu primeiro namorado, eu descobri que o afeto e os sentimentos podiam ser ditos. Juntos, trocamos muitas cartas e declarações faladas, de amor. Era uma novidade muito gostosa para mim.

É curioso, que a intimidade com meus pais era tão pequena, que, para informá-los que eu estava namorando, escrevi uma carta, um comunicado de que agora eu tinha um companheiro. Eu estava na oitava série, terminando o ensino fundamental e tinha 15 anos. Passei a noite escrevendo a carta, e antes de sair, cedinho, antes das sete da matina, deixei na mesa posta de café da manhã e fui estudar. Com um frio na barriga. Na volta, estava ansiosa para saber como havia sido a recepção e minha mãe então, contou que leu a carta e tirou, de perto da xícara do meu pai, com medo dele infartar. Acordá-lo tão cedo, mal sair da cama, uma novidade, ele podia não se sentir bem. Mas depois, mostrou a ele. Lembrei disso agora, resolvi partilhar. Nem tinha muito a ver com o que eu pretendia escrever.

Penso ser importante expressar os sentimentos, através de pequenos gestos, mensagens trocadas, afagos e colos, carinho, presença, cuidado. “Saber cuidar” é o título de um livro de Leonardo Boff que trata do tema do cuidado com a orbe, com o planeta Terra. O cuidado do homem com o planeta. E também do cuidado com o outro.

Nos últimos anos, aprendi muito a amar aos meus irmãos de todo o universo. Respeitar as diferenças. Conhecer mais sobre outras religiões e descobrir que a magia e a comunhão com Deus não se restringe apenas ao meu credo. Amar com todo amor desse mundo as nossas raízes africanas. E reverberar o meu amor. Por todos os lados, onde for necessário.

Nessa onda de expressar sentimentos, recebi uma chamada perdida no celular, de uma grande amiga que talvez esteja num processo de redescoberta ou mesmo descoberta do amor. Ao retornar, ela me disse: “-Liguei para dizer que gosto de você”. Simples assim, porque o amor é simples. Um pequeno gesto que muda tudo, que alegra o dia, deixa a vida mais doce.

Do mesmo jeito que é lindo acordar de manhã, ao lado de quem se ama, ser acarinhada, ser olhada, se perceber num momento de sonho, ainda meio que adormecida, mas se sentir acolhida, confortada, coração feliz. Ser correspondido em afeição é pura poesia, das coisas mais gostosas dessa vida.

À minha amiga, agradeço o singelo gesto que enobrece o meu coração. À minha pupila, obrigada por todo mimo dispensado a minha pessoa, em especial à parceria em relação a minha dieta, nutrindo meu corpo com os mais deliciosos sucos de frutas e minha alma com muito carinho, a ponto de me resgatar da escuridão na qual eu me encontrava. Minha gratidão para sempre. A Deus, agradeço por iluminar a minha vida e me aproximar de pessoas especiais ao longo da trajetória. Ao universo, por conspirar ao meu favor, quando faz o amor se manifestar nas pequenas coisas. Um brinde à vida, um brinde ao amor, nessa terça-feira de sol lá fora, com as melhores vibrações que emanam do meu ser.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Reflexões da média noite


Não, minha pupila. Errante não. O adjetivo não é esse.

A vida dá muitas voltas e nós duas somos a prova viva disso. Experimentamos tempos de paz, depois de muita ausência de luz. Por um momento, nos perdemos em meio a selva, nos sentimos sozinhas, incapazes, impotentes.

Mas no fim do túnel existia uma luz. Estávamos tão acostumadas àquela escuridão vazia e fria, que a primeira tentativa, foi difícil abrir os olhos. Precisamos nos acostumar novamente a condição de que estávamos na presença da luz, que agora nos cegava.

Mas aos poucos, nossas retinas foram voltando ao normal, acostumando-se a condição que outrora um dia havíamos vivido.

Percebemos que aquele caminho de trevas era passageiro. Hoje, vitoriosas, podemos ter orgulho de ter passado por tudo o que passamos. Ficamos mais fortes, amadurecemos.

No meu caso, a paciência foi tremendamente testada. Sinto-me mais tranqüila. Já não surto. Quando os sintomas vêm, eu trato de combater. Descarrego no meu intenso sono. Por isso não largo meu travesseiro. Talvez agora você me compreenda. Eu o carrego porque nele eu adormeço dentro de mim mesma.

O monstro que me assombrava foi embora. Eu mandei ele embora. Eu demorei a perceber que ele permanecia aqui porque eu demonstrava ter medo dele. Quando eu enfrentei, ele percebeu que não adiantava mais perder tempo tentando me assustar e foi assim, saindo de fininho. Porque eu já estava fazendo com que ele se tornasse bom. Aí ele resolveu se mandar, antes que eu o convencesse.

Esse é o caminho, pequena pupila. Suas palavras aquecem o meu coração e me trazem alento. O carinho e o cuidado demonstram a preocupação de quem ama.

Oyá nos proteja. Oxalá nos abençoe. A jornada continua. Amanhã será outro dia. E vai ser lindo, porque eu já estou mentalizando tudo lindo para nós. E chega de fantasmas e medos e arrepios. E sim:

“Que dance a linda Flor girando por aí
Sonhando com amor sem dor, amor de Flor
Querendo a Flor que é, no sonho a Flor que vem
Ser duplamente Flor, encanta,colore e faz bem”

(Maria Gadú)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Diálogos


- Porque você despertou tão cedo? Ainda são 4 A.M.? – perguntou o coelho.

-Eu perdi o sono. Rolei na cama, não consegui voltar a dormir. – expliquei.

- Mas a essa hora todos dormem. Você não diz sempre que necessita do sono reparador? – quase me censurando.

- Sim, eu já disse isso, alguma vezes, mas em outras a insônia me toma de assalto. Além disso, nem todos dormem. Não ouves os sinos lá fora, a badalar?

- Sim, são os sinos da capelinha. Acho que eles acordam as freiras do colégio.

- Engraçado, vivo aqui há tanto anos e nunca havia ouvido este som.

-O que te preocupas? – perguntou-me, com sabedoria ímpar – São problemas?

Respondi que não. Agora finalmente as coisas estavam voltando ao lugar. Não entendi a perda súbita do sono, especialmente na noite fria e escura.

Pensei nas possibilidades, nos jogos da vida, nas trapaças.

Nesse momento, uma felina de olhos azuis se aproximou, como se me indagasse, também, porque sua dona estava insone. Aproximou-se o máximo que pode, pediu carinho e se aninhou ao meu braço, ficando debruçada sobre a tela.

Ainda tentei buscar motivos e explicações. Não consegui. Pensei nos erros do passado, nas escolhas feitas, na imaturidade infantil de uma jovem nem tão jovem assim.

- Mas não se pode voltar atrás nos erros – lembrou-me ele.

- Mas sempre há uma segunda chance – retruquei.

Quis acreditar que aquelas palavras não haviam saído de minha boca apenas por saírem. Pensei na constatação, de fato.

- Todos cometem erros – continuou ele, naquele discurso, agora, clichê.

Eu tentei explicar que as marcas do passado eram muito dolorosas e que não, todas aquelas pessoas tiveram a sua cota de boa vontade da minha parte. E ela já havia se esgotado.

Lembrei então das surpresas diárias, das palavras carinhosas, da vontade manifestada de querer ficar perto o tempo inteiro, das profundas mensagens que enviava dia após dia e da sinceridade de todos os gestos, os menores, então, nem se fala. Era isso que permeava os meus dias e estava me ajudando a prosseguir. Ou seguir.

Neste momento, tive certeza de que estava no caminho certo, afinal, desses atos são feitos os relacionamentos. O passado estará sempre presente no coração. Há de se lembrar das coisas boas. Mas não se deve esquecer das turbulências desnecessárias. De ambos os lados, obviamente.

Lembrei do último filme a que assisti, com a Juliette, da fala de sua personagem, infinitamente repleta de verdade, maturidade e sabedoria.

“Se fossemos indivíduos mais tolerantes às falhas alheias, seríamos indivíduos menos solitários.”

Verdade absoluta. Pensei nisso, timidamente, e optei por seguir em frente, buscando acertar os erros do passado, numa entrega verdadeira, sem amarras. O futuro cabe a mim e a nós decidir, dia a dia. As coisas que valem a pena, não devem ser deixadas para trás.

- Há oportunidades que não voltam mais – finalizou.

Meu coração se alentou, cedi aos pedidos da minha Milk e voltei a dormir. Seja o que Deus quiser.


O amor nunca faz reclamações, dá sempre.

O amor tolera, jamais se irrita e nunca exerce vingança.

Mahatma Ghandi

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A flor do futuro (ou seria À flor do futuro)

O ócio é, para mim, criativo. Há tempo Para escrever, atuar como observadora do mundo e suas realidades, viver com mais intensidade.

A volta ao trabalho, nas últimas semanas, me deixou robotizada. A rotina exaustiva e acelerada se traduz em cansaço, poucas horas de sono e menos tempo Para pensar.

Mas também, a ocupação da mente é a melhor coisa a se fazer quando as dores do mundo estão sobre os seus ombros.

Porque simplesmente, elas ficam em segundo plano, deixam de ser questões prioritárias a serem resolvidas. Nesse sentido, é maravilhoso então, acordar todos os dias, mesmo morrendo de sono, lutar contra a vontade de ficar na cama e se entregar à rotina.

Mais o mais importante de tudo isso é sentir-se produtiva. Eu andei uns tempos aí, angustiada pelo fato de estar dedicando-me somente aos estudos. Estava me sentido improdutiva. Como se produção fosse algo tangível.

Nem penso ser assim, o modo correto de raciocinar. Mas eu estava desse jeito. Ou daquele jeito. Porque não estou mais.

Depois da tempestade, a bonança. Dito popular, sabedoria de primeira. Houve um tempo em que lágrimas, chuva, tristeza e outros males me assombraram. Como assombram os monstros. Tudo parecia cinza, escuro e frio.

Mas como eu já disse milhares de vezes aqui e pela vida, o tempo cura tudo. E a minha cura veio em forma de flor, em forma de bonina. Pequenina e doce, mas forte o suficiente para me fazer enxergar a beleza da vida.

As noites intermináveis de insônia se dissiparam. O coração acelera, agora, por outros motivos. Os momentos adversos não duram para sempre. Duram o tempo suficiente para nos recuperarmos, resgatarmos o que mais de bonito há em nós e sorrirmos sorrisos de todos os jeitos.

Nesse processo, também teve papel importante a felina que habita meu novo lar. Como se percebesse a minha tristeza, soube me dar colo e se achegar ao meu corpo, trazendo calor e alegria. Pequenina, também pediu colo, desde o começo, e a relação que se estabeleceu entre nós é algo sublimar.

Ela me chama, se achega, faz charme, é delicada e fofa, muito fofa. Também ganhei Will, um anjinho em forma de pelúcia que me faz lembrar que não posso deixar de ser anjo, já que essa condição é inerente ao meu ser – colocação essa não posta por mim, mas por outras pessoas que ao longo da caminhada assim me denominaram – e sim, eu tomo posse dela.

Chove lá fora, porque daqui a pouco tempo vai florescer. E todas as sementes plantadas estarão flores lindas e frutos belos. E teremos boninas, flor de jasmim (e sorriso de jasmim, também!), mirra, orquídeas e todas as mais lindas espécies.

Te agradeço minha pequena e grande bonina, por fazer parte da nova história que está sendo escrita. Agradeço pelo carinho, pelos mimos, pelo novo, pelas palavras bem escritas, por tudo que és. “A flor do futuro vai abrir mil caminhos, você vai ver” (Cláudio Zoli)

Me despeço com um sorriso de jasmim. Oxalá nos proteja hoje, agora e sempre.

sábado, 7 de maio de 2011

Carta a um amigo


Querido amigo,

Meu coração sente que a partir deste momento, não mais caminharemos lado a lado. É uma lástima mas nossos ideais não são mais os mesmos e não estamos antenados na mesma sintonia.

Há um abismo entre nós e tudo parece ter se dissipado.Sua atitude desesperada somente serviu Para que eu percebesse com muita clareza o quanto temos a evoluir em termos de relacionamento.

Depois de tanto tempo, união, fraternidade, percebi que temos muito a avançar. Pergunto-me onde errei, onde errastes, onde erramos.

Nesse momento, não encontro respostas nem desejo compreender tudo que se passou.

Estou jogando fora todos os porquês e tenho uma ligeira sensação de que a motivação real de sua ira não tenha sido o que alegastes. A questão me parece muito mais complexa.

Sinto-me triste, ao perceber que nosso castelo ruiu. Sinto-me triste, ao concluir que vivemos momentos ilusórios. Jamais imaginei que algo tão simples não pudesse ser externado e o diálogo não tivesse sido utilizado como meio Para o entendimento.

Diante de tal situação, tenho a lamentar o fato de que mesmo dispondo de tantos meios de comunicação, nos tornamos incomunicáveis. Saber que mesmo nos falando, mesmo que por telefone, ainda assim, tenha havido ruídos de comunicação.

Não sei o que será daqui para frente. O tempo tem cuidado de colocar as coisas no lugar em minha vida. Além disso, tenho compreendido melhor o sentido de tudo isso, das esperas, dos tempos de cicatrização das feridas, da cura dos males.

Lamento se me achas sentimental demais, mas não poderia deixar de expressar meus sentimentos.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Entre arco-íris e flores


Foi chegando assim de mansinho

Leve como a pluma

Doce como açúcar

Menina, menina


Das músicas faz poesia

Sua letras preenchem vazios

Inunda meu ser e traz alegria


Voz de menina, atitude de mulher

Ela sabe o que quer

Não desiste fácil, sonha acordada


Noite e dia ali está

Rosas, palavras, pelúcia de anjo

Me cuida, me aceita

Me faz delirar



Os bons ventos do outono sopraram, enfim. Nesses dias de chuvas, chuviscos e nuvens, mergulho inteira em pensamentos, palavras e ações. Feri, fui ferida. Amei, fui amada. Reflexões correm os dias, pensamentos voam pelo ar.

Teu jeito doce me conquista o ser. Delírios vamos viver. Em meio ao caos, a luz se acendeu. Ou acenderam a minha luz que estava apagada. Me sinto mais leve, tão bom ser cuidada. Conflitos familiares ficam amenos, dores se esvaem, uma alegria contagia meu ser.

Basta acreditar e deixar o universo trabalhar. Não é fácil confiar no amor, depois de tanta dor. A cada dia, um progresso. O tempo tudo cura. O tempo tudo traz. Aprendi que persistir é fundamental quando se deseja muito alguma coisa ou alguém. O Soberano Tempo guardou surpresas nunca antes imaginadas. Desdobrou-se em prazer, alegria, vazio preenchido. Te encanto. Me encantas.