segunda-feira, 11 de junho de 2012

"Alguma coisa acontece no meu coração"


Fui à Sampa. Realizei mais uma vez esse desejo sempre presente na minha vida. Desde a primeira vez na cidade, já adulta, em 2009, hoje, três anos depois vivi novamente o prazer de estar num lugar que amo.
Amo viajar e lógico que desejo conhecer outros países e cidades. Mas São Paulo é uma experiência, eu diria singular. Aquele ar cosmopolita de cidade grande me atrai. As pessoas, os cafés, os restaurantes, as ruas, tudo me fascina. É possível encontrar pessoas de todos os tipos. Uma diversidade que encanta. Sabe aquelas pessoas estranhas, com cabelos estranhos, roupas estranhas? Em Sampa a gente encontra isso de montão e o mais legal é poder ser diferente sem ser criticado. Sem aquele preconceito velado.
E dessa vez, eu definitivamente, voltei, mais uma vez, apaixonada pela cidade. Uma cidade que acolhe o diferente. Onde o diferente faz parte e está inserido em todo contexto social. Adorei. Até esse meu texto está diferente, a forma da escrita também. Devo estar no meu processo catártico pós-Sampa.
Ao contrário do que muitos dizem, os paulistas são acolhedores, educados e inteligentes. Não que pessoas de outros estados e lugares do mundo não sejam. Mas há uma inteligência, não digo intelectual, mas cultural.
Dá uma paz e alma fica tranquila quando se pode andar de mãos dadas com a namorada pelas ruas. Pode abraçar e fazer carinhos sutis. Expressar o amor de forma branda, sem querer aparecer, mas fazer coisas habituais sem se preocupar com olhares de censura.
Além disso, a cidade é uma delícia, repleta de programas para todos os tipos, gostos e bolsos. É possível ir até lá com pouco dinheiro ou dinheiro de sobra. É possível ser feliz comendo dentro de um restaurante ou fora dele, como na Liberdade, com sua gastronomia atrativa tanto dentro, quanto fora, nas barracas. Os melhores cafés para um amante do café como eu, estão lá. Seja o café-aroma, seja o café-lugar. Que delícia fugir um pouco do friozinho delicioso e entrar em um ambiente aconchegante para degustar um café. Melhor ainda quando se faz isso ao lado de pessoas amadas.

Caminhar pela Avenida Paulista e admirar as luzes da cidade, holofotes de carros, ônibus, contruções é um prazer indescritível. Aqueles prédios imponentes de centro empresarial que aos finais de semana se transforma em calçadas repletas de pessoas que lá estão para caminhar com o cachorro, andar de skate, passear sem rumo certo e encontrar a turma (darks, punks, skaters, gays novinhos e velhinhos, artistas de rua tocando violino e até uma pré Pride). A cidade, aliás, estava preparadíssima para receber os LGBT e simpatizantes como todo calor, em meio ao friozinho.
A “Terra da Garoa” faz jus ao nome, com sua chuva deliciosa pela manhã, quase sempre, naquela mistura de cores de frias nos guarda-chuvas, nas vestimentas, botas, casacos, echarpes, chapéus. Quanto estilo numa cidade.
Por sugestão da companheira de viagem, que não bebe, diga-se de passagem, mas naquele frio precisava de um up, entramos num barzinho bem estiloso e estilizado. No cardápio drinks deliciosos e atraentes. Optamos por uma mistura de vodka, limão siciliano e amoras frescas. Que delícia. Eu, que bebo muito pouco hoje e já experimentei muitos drinks, fiquei fascinada.
Andar na linha amarela do metrô, com seus trens sem condutores, controlados por computador me fez sentir em Dubai. Parecia que nós estávamos no comando. Muito bacana. Aliás, aquelas linhas todas, ligando as partes importantes e não importantes da cidade é um exemplo para as demais capitais desse Brasil.
Ver meu amigo “menininho” também não tem preço. Sempre doce, apesar de seu humor ácido, tem a excelência de um anfitrião e gentileza e presteza de um gentleman. Gratíssima, sempre.
A Pinacoteca e sua construção no estilo do ecletismo italiano chamam atenção pela beleza. O espaço interior, em ferro e claraboias é genial e dão uma luz especial ao local. O café, no Jardim da Luz é uma ótima pedida para um final de manhã. Graças ao Jose, pude relembrar minha passagem por lá pela primeira vez, ao lado de uma das pessoas mais especiais da minha vida.
Dias memoráveis, inesquecíveis, que já deixaram saudade. Amo Sampa e quero mais. Quem me apresentou à cidade foi meu querido primo, que mora no exterior, amante de São Paulo e que me mostrou a verve dessa metrópole. Hoje, não por acaso é seu aniversário e dedico a ele esse texto-lembrança de uma viagem que já quer ser feita novamente.
Meus parabéns, querido Walter. Faço votos de muita paz, amor e luz. Desejo a ti o reencontro com seu eu, cada vez mais, resgatando a sua essência de menino, a cada dia, na sua vida. Saúde e prosperidade. Namastê!

Fui à Sampa. Realizei mais uma vez esse desejo sempre presente na minha vida. Desde a primeira vez na cidade, já adulta, em 2009, hoje, três anos depois vivi novamente o prazer de estar num lugar que amo.
Amo viajar e lógico que desejo conhecer outros países e cidades. Mas São Paulo é uma experiência, eu diria singular. Aquele ar cosmopolita de cidade grande me atrai. As pessoas, os cafés, os restaurantes, as ruas, tudo me fascina. É possível encontrar pessoas de todos os tipos. Uma diversidade que encanta. Sabe aquelas pessoas estranhas, com cabelos estranhos, roupas estranhas? Em Sampa a gente encontra isso de montão e o mais legal é poder ser diferente sem ser criticado. Sem aquele preconceito velado.
E dessa vez, eu definitivamente, voltei, mais uma vez, apaixonada pela cidade. Uma cidade que acolhe o diferente. Onde o diferente faz parte e está inserido em todo contexto social. Adorei. Até esse meu texto está diferente, a forma da escrita também. Devo estar no meu processo catártico pós-Sampa.
Ao contrário do que muitos dizem, os paulistas são acolhedores, educados e inteligentes. Não que pessoas de outros estados e lugares do mundo não sejam. Mas há uma inteligência, não digo intelectual, mas cultural.
Dá uma paz e alma fica tranquila quando se pode andar de mãos dadas com a namorada pelas ruas. Pode abraçar e fazer carinhos sutis. Expressar o amor de forma branda, sem querer aparecer, mas fazer coisas habituais sem se preocupar com olhares de censura.
Além disso, a cidade é uma delícia, repleta de programas para todos os tipos, gostos e bolsos. É possível ir até lá com pouco dinheiro ou dinheiro de sobra. É possível ser feliz comendo dentro de um restaurante ou fora dele, como na Liberdade, com sua gastronomia atrativa tanto dentro, quanto fora, nas barracas. Os melhores cafés para um amante do café como eu, estão lá. Seja o café-aroma, seja o café-lugar. Que delícia fugir um pouco do friozinho delicioso e entrar em um ambiente aconchegante para degustar um café. Melhor ainda quando se faz isso ao lado de pessoas amadas.
Caminhar pela Avenida Paulista e admirar as luzes da cidade, holofotes de carros, ônibus, contruções é um prazer indescritível. Aqueles prédios imponentes de centro empresarial que aos finais de semana se transforma em calçadas repletas de pessoas que lá estão para caminhar com o cachorro, andar de skate, passear sem rumo certo e encontrar a turma (darks, punks, skaters, gays novinhos e velhinhos, artistas de rua tocando violino e até uma pré Pride). A cidade, aliás, estava preparadíssima para receber os LGBT e simpatizantes como todo calor, em meio ao friozinho.
A “Terra da Garoa” faz jus ao nome, com sua chuva deliciosa pela manhã, quase sempre, naquela mistura de cores de frias nos guarda-chuvas, nas vestimentas, botas, casacos, echarpes, chapéus. Quanto estilo numa cidade.
Por sugestão da companheira de viagem, que não bebe, diga-se de passagem, mas naquele frio precisava de um up, entramos num barzinho bem estiloso e estilizado. No cardápio drinks deliciosos e atraentes. Optamos por uma mistura de vodka, limão siciliano e amoras frescas. Que delícia. Eu, que bebo muito pouco hoje e já experimentei muitos drinks, fiquei fascinada.
Andar na linha amarela do metrô, com seus trens sem condutores, controlados por computador me fez sentir em Dubai. Parecia que nós estávamos no comando. Muito bacana. Aliás, aquelas linhas todas, ligando as partes importantes e não importantes da cidade é um exemplo para as demais capitais desse Brasil.
Ver meu amigo “menininho” também não tem preço. Sempre doce, apesar de seu humor ácido, tem a excelência de um anfitrião e gentileza e presteza de um gentleman. Gratíssima, sempre.
A Pinacoteca e sua construção no estilo do ecletismo italiano chamam atenção pela beleza. O espaço interior, em ferro e claraboias é genial e dão uma luz especial ao local. O café, no Jardim da Luz é uma ótima pedida para um final de manhã. Graças ao Jose, pude relembrar minha passagem por lá pela primeira vez, ao lado de uma das pessoas mais especiais da minha vida.
Dias memoráveis, inesquecíveis, que já deixaram saudade. Amo Sampa e quero mais. Quem me apresentou à cidade foi meu querido primo, que mora no exterior, amante de São Paulo e que me mostrou a verve dessa metrópole. Hoje, não por acaso é seu aniversário e dedico a ele esse texto-lembrança de uma viagem que já quer ser feita novamente.
Meus parabéns, querido Walter. Faço votos de muita paz, amor e luz. Desejo a ti o reencontro com seu eu, cada vez mais, resgatando a sua essência de menino, a cada dia, na sua vida. Saúde e prosperidade. Namastê!

Image: SP da garoa

quinta-feira, 31 de maio de 2012

"Me fiz em mil pedaços...pra você juntar"




Quando a gente pensa que está tudo perdido, vem a Legião Urbana e muda tudo. Pois foi exatamente assim que eu estava me sentindo, quando descobri que estava ocorrendo um show ao vivo, produzido pela MTV em homenagem ao Renato Russo. Com Dado Vila Lobos na guitarra, Marcelo Bonfá na bateria e Wagner Moura nos vocais, tive uma explosão interior de satisfação. Misto de alegria com nostalgia, não pude acreditar que estivesse acontecendo. Imediatamente me conectei ao show e assisti um ator multifacetado, realizando mais um desafio na carreira, ao dar voz às composições de Renato Russo. Este, que foi um dos maiores poetas do mundo, sem dúvida. Este, que já citei aqui tantas vezes e cujas letras reportam a momentos vividos desde a minha adolescência, ou início dela, quando comecei a ouvir seus discos.
Estou fascinada. Giz, Há tempos, Será, Perfeição e agora, para fechar, sem ensaios, sem nada, coisa de fã mesmo, Wagner interpreta Faroeste Caboclo, a épica canção da Legião, de mais de nove minutos cantada/falada e que li matéria tempo atrás falando sobre sua transformação em roteiro de cinema. Legião diz tudo o que a gente sente. Todos os meus sentimentos já foram descritos em letras pelo Renato. Como muitos expoentes das artes, foi embora cedo, aos trinta e seis. Mas deixou seu legado. De letras, músicas e fãs. Vejo os comentários em tempo real sobre o show. A maioria das pessoas elogia, vibra. Outra parte critica. Diz que Renato é insubstituível. Mas isso a gente já sabe. Wagner Moura apenas interpreta, faz o seu trabalho de ator e encanta. Deixo de lado essas críticas. Que delícia e emoção ver uma homenagem dessas.
Me fez esquecer por um momento, a chateação que tive com a pequena. Ela não me compreende quando digo que “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”. Eu sempre amei as pessoas intensamente. E amo. O amor não acaba nunca. Ele se transforma. Em algumas situações,ele fica guardado lá no fundo do coração. Lembrança de um momento que se viveu. Acho que ela não me compreende. Isso me incomoda, mas não me tira do sério. Talvez ,quando ela chegar aos vinte e oito, compreenda. Ela dorme ao meu lado, enquanto viajo em pensamentos.
Eu quero paz. Queremos paz. Todos nós. Viver bem, em harmonia, fazer o bem, amar, este é o nosso norte. Estou preocupada. As coisas estão acontecendo mas a gente sempre quer passar com a carroça na frente dos burros. Haja paz. Haja tempo. Noite adentro, adentro as palavras. Enquanto dormir quero sonhar sonhos bons. Quero viajar guiada pela bem. Quero fortalecer minh’alma.
A Legião bateu aqui na porta e foi entrando sem avisar. Revolveu meus sentidos, meus sentimentos e pensamentos. Me fez viajar no passado. Me fez ter a certeza de que te amo, pequena. E isso, ninguém pode nos tirar. Acredite. Confie. Juntas, somos mais. E assim, tornamos realidade, nossos sonhos. Tem sido assim há algum tempo. Assim será pela resto dos dias. Porque o “para sempre” sempre acaba. Só o Renato, para me fazer voltar. Que venha mais movimento e mais inspiração. 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Torpor

te quero muito

teus beijos

teus cheiros

teus gostos

te quero inteiro

meu corpo grita

meu berro é por você

teu corpo no meu corpo

juntos, somos um

teu sexo é poesia

emudeço

pernas bambas

tremo num torpor que me alucina

você me inspira

já não quero senões

desejo muitos sim

diz pra mim

terça-feira, 13 de março de 2012

"Estranha mania de ter fé na vida"



Resolvi quebrar jejum. Deixei de lado os textos que escrevi e os que comecei e não terminei. Começo esse post em uma terça-feira de verão, num Rio 40 graus, sem perder o foco e a esperança.

Muita coisa se passou desde que estive aqui pela última vez. Mas sou fiel ao blog, desde que se crie o movimento e a inspiração, necessários a todos os meus escritos.

Acordei com meus gatos fazendo uma zorra danada, que só terminou, quando eu levantei da cama, de fato. Estendi a roupa no varal, pensei mil vezes, se caminharia agora, pela manhã, ou a noite. Continuei indecisa. Me estendi sobre a confortável cama, que está do jeito que eu sempre quis, repleta de travesseiros. As palavras vieram.

Eu dormi pouco, estou cansada. Pensei. Mas elas não podem mais esperar. Acabo de salvar esse texto e descubro que há um ano, eu escrevi um texto aqui.

Treze de março. Treze dizem ser um número de sorte, vai que é. Mercúrio está em movimento retrógrado, li ontem. Até o dia 4 de abril é tempo de pensar, repensar, corrigir, refazer, recomeçar.

Para mim, isso significa a luta de quebrar os velhos padrões mentais e de comportamento, significa tentar mais uma vez. É a oportunidade vinda do céu.

Um dos primeiros pensamentos que me vieram a mente foi que as pessoas que mais nos maltratam são aquelas que amamos. E que afirmam nos amar e se preocupar com a gente.

Muita coisa se passou nesse tempo todo que estive afastada. Aos poucos, vou escrevendo depois. Nesse momento, estou preocupada em resolver as minhas questões afetivas. Me sinto perdida e sem rumo. Sinto-me só, numa ilha deserta. Mas também sinto que fui eu quem se dirigiu até a ilha.

Há algum tempo, comecei a romper com todas as barreiras impostas e fazer da minha vida, algo mais prazeroso, completo, desbravador. Quebrei paradigmas. Trabalhei pesado em loja, para sentir como é a vida, atrás de um balcão. Lidei diretamente, cara a cara, com o público, ou melhor, com os consumidores, alguns deles cidadãos, outros, não. Isso me lembra Nestor Garcia Canclini. Senti na pele, a briga pelo quem vende mais, vi clientes solícitos, outros, grosseiros. Vi pessoas humildes, vi pessoas abastadas. Vi a ganância das colegas, preocupadas com as vendas dos outros, esquecendo-se das suas. Vi patrão duro, avarento, sem espírito natalino. Vi gerente também. Em menor, escala, mas vi.

Caí de paraquedas no meu novo emprego. Achei uma loucura, mas sim, eu que estava insatisfeita com o salário do último emprego, resolvi trabalhar por menos da metade. Mas eu estou bem perto da minha área de formação e nesse momento, isso é o que me importa. Deus provê, Deus proverá. Sua misericórdia não faltará.

Já vendo quebrando os padrões há um tempo. Fui demitida pelo meu próprio pai e me decepcionei mais uma vez. Fui alvo de preconceito, da não aceitação. Por outro lado, conheci o preço de ser diferente. Fiz a minha primeira tatuagem, beijei e abracei a minha avó, mesmo estando tatuada, coisa que ela detesta, amei e odiei minha mãe, minha irmã, meu pai, meu irmão. Amei mais os felinos. Encontrei meu porto-seguro numa menina-mulher de jovens vinte e três anos.

A cada dia, aceito a minha condição de amar outra mulher. De amar alguém do mesmo sexo que eu. Aceito até escrever isso publicamente, sem grilo, sem preocupações sobre o que os outros vão pensar. Me sinto livre, embora muitas algemas queiram me prender.

Perdi meu melhor amigo para o novo namorado dele. É a única explicação que encontrei, pois sempre nos entendemos do nosso jeito, com nossas limitações, apoiando um ao outro, na alegria e na tristeza e de um dia para outro, tudo se perdeu. Dois meses depois, mesmo que eu queira, caso um dia voltemos a nos falar, as coisas não serão mais as mesmas.

Tudo o que eu queria dizer é que o importante, de fato, e clichê, é viver um dia de cada vez. É tornar os momentos inesquecíveis. É sentir-se livre, para se fazer o que quiser. Para experimentar o novo. É estar aberto para o que vier, aceitando, sem resignação, mas com boa vontade, tudo o que vier. É acreditar em Deus, no cosmo, no tempo que cura, ter a fé nos santos e nos orixás, é se entregar por inteiro à espiritualidade.

De tudo o que se passou, de 2011 até esse março de 2012, essas são as minhas certezas absolutas, pois em meio a um mar de dúvidas, é tudo isso que me sustenta. A minha certeza é não ter certeza de nada. A minha meta é alcançar a perfeição pelo bem.

Já disse muitas vezes que todos somos um. E apesar do individualismo desenfreado e do egoísmo do ser humano, continuo pensando assim. Estou fazendo a parte que me cabe. Assim, há dois milênios e pouco, o mestre Jesus, ensinou àqueles seus seguidores. Estou plantando para colher. Estou longe da perfeição. Mas estou tentando. Erros e acertos, assim eu vou crescendo.