terça-feira, 26 de abril de 2011

Depois do arco íris, o sol *

*À força de um arco íris, em forma de gente, uma pupila, minha pupila

E a gente vive junto

E a gente se dá bem

Não desejamos mal a quase ninguém

E a gente vai à luta

E conhece a dor

Consideramos justa toda forma de amor

Os momentos de incerteza e de crise são oportunidades preciosas de evolução (I. Mueller). O sofrimento faz a gente amadurecer. Chorei rios de lágrimas entretanto o sol voltou a aquecer o meu coração. O mundo está mais colorido hoje, apesar da chuva que teima em cair lá fora.

Abaixo a tristeza, o desanimo, o desamor. Hoje eu celebro a alegria da vida, a certeza de que sempre após a tempestade é chegada a bonança. Toda a dor dos últimos tempos está indo embora, aos poucos, e o meu coração se alegra por isso. O ciclo finalmente se encerrou.

Tudo que tem que ser vivido será vivido. No tempo certo. As coisas acontecem quando tem que acontecer mesmo. Às vezes, desperdiçamos energia, brigamos com o tempo, somos afobados. Grande erro. É preciso esperar.

Minha pupila, tudo que é nosso, pertence, somente, a nós mesmas. É chegado o momento de ser feliz. Não há mais postergações. Vamos ser felizes e pronto!

A entrada de Sol em Áries me trouxe muitas lembranças, expectativas, preocupações. Mas eu vou recordar essa fase com muito carinho para sempre. O último dia do movimento solar vai ficar marcado para sempre. O despontar do Sol em Touro foi o melhor de todos os tempos. Corpos entrelaçados, riso, satisfação, descobertas, mãos, formas, pele, sentidos, desejos que se realizam.

Que esse novo tempo seja repleto das melhores vibrações, que as esperas durem somente o tempo necessário, que nada mais demore, que a saudade traga alegria com um misto de frio na barriga. Que o carinho, o respeito, a admiração e acima de tudo a amizade reinem em nossos corações.

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No último domingo, deixou o corpo o guru indiano Sathya Sai Baba. Mestre de amor, embaixador da paz no planeta Terra, essa figura magnífica deixou muitos ensinamentos e transformou mentes e corações. Por vezes, estive em contato com sua espiritualidade e deixo aqui o meu agradecimento por contribuir por um mundo melhor, por propagar a mensagem de que todos somos um. Que suas lições continuem a modificar vidas.

“Verdade é aquilo que deve ser dito,

Retidão é o que deve ser praticado,

Paz é o que deve preencher a mente,

Amor é o que deve se expandir dentro de nós e

Não-violência é o que devemos ser plenamente."

Sathya Sai Baba

terça-feira, 19 de abril de 2011

A vida é bonita

"Não tem explicação, explicação não tem. Sem explicação, explicação. Não tem explicação, não tem explicação, não tem não tem" (Na voz da Cássia)

Em alguns momentos da vida, pode-se chegar a implorar o amor, a atenção, uma resposta qualquer que seja àquela carta escrita. Acho que hoje talvez isso seja amenizado depois da película à que assisti.

Tenho andado angustiada, à procura de respostas para interrogações que eu mesma faço, explicações sobre fatos que não deveriam mais ter importância. Mas o amor é importante. O cuidado é importante.

Meu tempo vago tem se resumido a ler os livros, cuidar dos felinos, assistir uns filmes, no vídeo ou no cinema. Nessa onda, fui assistir ao “Biutiful”. Na primeira vez que havia tentado fazer isso, os ingressos haviam esgotado. Dessa vez, consegui.

Foi, sem dúvida o melhor filme dos últimos tempos. A mensagem que eu tirei do filme para minha vida, em especial, nesse dado momento – entre as muitas reflexões que essa projeção me proporcionou – foi de que diante de uma situação, na qual sabe-se que o fim está próximo, tentamos rever as atitudes, mudar posturas incorretas, contribuir para a paz e a harmonia. E mais do que isso tudo, amar. Mas amar a quem nos ama. Tenho vivido esperando por um amor que não virá. Talvez um amor que não tenha acontecido. Apenas uma vã ilusão de amor. Lutando por um sentimento de carinho, mas que talvez nem tenha chegado a ser amor.

Chora daqui, sofre dali, fica à espera de algo que no fundo, sabe-se que não vai chegar, mas não se quer deixar passar.

O protagonista do filme descobre que tem pouco tempo de vida e tenta reverter o jogo, de modo a limpar sua consciência, perdoar os erros das pessoas que ama, não se prender à pequeninices, enfrentar os desmandos do sistema. E Javier Barden faz isso com maestria. Mais uma vez, ele nos apresenta sua arte e emociona. O filme trata da questão existencial da morte, mas também de questões essenciais para se pensar no dia de hoje, como a migração de africanos e asiáticos rumo à Europa, a fim de amenizar as dores sociais de seus países de origem – como se isso fosse trazer tranqüilidade e satisfação.

A vida é tão curta para darmos valor a quem não nos dá valor que não vale a pena gastar energia com isso. Buscamos, procuramos, imploramos, sem ao menos, sequer tocar o coração daquela outra pessoa.

Tento buscar explicações e respostas para o silêncio, entretanto, não encontro. Porque talvez elas não existam mesmo. Melhor é seguir em frente, continuar com o barco a navegar, dessa vez sem paradas, numa viagem ininterrupta, rumo ao sol que brilha. Talvez essa seja a resposta. Há coisas mais importantes nesse momento do que perder tempo esperando por algo que não vai chegar. Minha dores foram amenizadas. Salve, Iñárritu.

Por uma resposta



Sessão nostalgia com intensidade que atravessa o coração, os sentidos, a alma.

Como diria o autor do Poema Sujo, "não quero ter razão, só quero ser feliz!".

Não tenho vergonha de gritar o que sinto. O que eu sinto tem nome e se chama amor.

Hoje eu percebi que a amizade verdadeira transpassa todas as barreiras impostas pela vida. É bom ter um irmão com quem se pode partilhar tudo, das coisas mais simples até as mais complexas. Despir todos os véus, assumir as fraquezas, abrir o coração, ouvir atentamente, doar-se inteiramente, ter a certeza de que tudo isso vai passar.

Muitas vezes não queremos compreender o real sentido das coisas. Nos perdemos ao buscarmos significados que não existem. Explicações que não cabem. Ainda assim, não sossegamos enquanto não temos algumas certezas.

A gente se pergunta porque tudo se dissipou, porque chegou ao fim, quer entendimento do incompreensível, quer respostas quando elas não cabem. Talvez tudo fosse mais simples se não fossemos tão complexos. Talvez tudo pudesse ser mais fácil se sentíssemos menos. Não é fácil abrir mão dos sentimentos.

Não dá para seguir em frente, alçar novos voos, quando não se tem certeza absoluta de que se chegou ao fim. Não há como se abrir para novas pessoas, sentimentos, se ainda existem resquícios do passado. Não há como magoar pessoas maravilhosas que cruzam o seu caminho e te querem bem, te amam e se preocupam, quando não se tem certeza de que se findou.

A gente lê os escritos do passado, olha as poesias inspiradas, não entende como esse sentimento que não tem nome acabou. Não compreende absolutamente nada e quer uma resposta, uma centelha, uma faísca, uma luz qualquer que seja, a fim de trazer alguma iluminação.

A gente se vê escrevendo poesia, refletindo a vida, pensando em como tudo seria, pensando em como tudo será daqui para frente. Não se conforma, não esquece, ao contrário, relembra. Quer fugir, quer saciar essa sede de amor, quer sossegar. E não consegue.

Só resta pedir mais uma vez, que Deus nos abençoe. Iansã nos proteja. Os bons espíritos iluminem.

Que os corações sejam tocados. Deve ser por aí. Assim espero.

Corro contra o tempo

Pra te ver
Eu vivo louca
Por querer você
Morro de saudade
A culpa é sua

Bares, ruas, estradas
Desertos, luas
Que atravesso
Em noites nuas
Só me levam
Prá onde está você

O vento que sopra

Meu rosto cega

Só o seu calor me leva
Numa estrela
Pra lembrança sua...

O que sou?
Onde vou?
Tudo em vão
Tempo de silêncio
E solidão

O mundo gira sempre
Em seu sentido
Tem a cor
Do seu vestido azul
Todo atalho finda
Em seu sorriso nu

Na madrugada

Uma balada soul
Um som assim
Meio que rock'n roll
Só me serve
Prá lembrar você...

Qualquer canção
Que eu faça
Tem sua cara
Rima rica, jóia rara
Tempestade louca no Saara

O que sou?
Onde vou?
Tudo em vão
Tempo de silêncio
E solidão

(Vander Lee)

Image: Nympheas - Claude Monet

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O que há em mim


Há alguns dias, Deus — ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus —, enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor. E você sabe a que me refiro.

Antes que pudesse me assustar e, depois do susto, hesitar entre ir ou não ir, querer ou não querer — eu já estava lá dentro. E estar dentro daquilo era bom. Não me entenda mal — não aconteceu qualquer intimidade dessas que você certamente imagina. Na verdade, não aconteceu quase nada. Dois ou três almoços, uns silêncios. Fragmentos disso que chamamos, com aquele mesmo descuido, de “minha vida”. Outros fragmentos, daquela “outra vida”. De repente cruzadas ali, por puro mistério, sobre as toalhas brancas e os copos de vinho ou água, entre casquinhas de pão e cinzeiros cheios que os garçons rapidamente esvaziavam para que nos sentíssemos limpos. E nos sentíamos.

Por trás do que acontecia, eu redescobria magias sem susto algum. E de repente me sentia protegido, você sabe como: a vida toda, esses pedacinhos desconexos, se armavam de outro jeito, fazendo sentido. Nada de mal me aconteceria, tinha certeza, enquanto estivesse dentro do campo magnético daquela outra pessoa. Os olhos da outra pessoa me olhavam e me reconheciam como outra pessoa, e suavemente faziam perguntas, investigavam terrenos: ah você não come açúcar, ah você não bebe uísque, ah você é do signo de Libra. Traçando esboços, os dois. Tateando traços difusos, vagas promessas.

Nunca mais sair do centro daquele espaço para as duras ruas anônimas. Nunca mais sair daquele colo quente que é ter uma face para outra pessoa que também tem uma face para você, no meio da tralha desimportante e sem rosto de cada dia atravancando o coração. Mas no quarto, quinto dia, um trecho obsessivo do conto de Clarice Lispector “Tentação” na cabeça estonteada de encanto: “Mas ambos estavam comprometidos. Ele, com sua natureza aprisionada. Ela, com sua infância impossível”. Cito de memória, não sei se correto. Fala no encontro de uma menina ruiva, sentada num degrau às três da tarde, com um cão basset também ruivo, que passa acorrentado. Ele pára. Os dois se olham. Cintilam, prometidos. A dona o puxa. Ele se vai. E nada acontece.

De mais a mais, eu não queria. Seria preciso forjar climas, insinuar convites, servir vinhos, acender velas, fazer caras. Para talvez ouvir não. A não ser que soprasse tanto vento que velejasse por si. Não velejou. Além disso, sem perceber, eu estava dentro da aprendizagem solitária do não-pedir. Só compreendi dias depois, quando um amigo me falou — descuidado, também — em pequenas epifanias. Miudinhas, quase pífias revelações de Deus feito jóias encravadas no dia-a-dia.

Era isso - aquela outra vida, inesperadamente misturada à minha, olhando a minha opaca vida com os mesmos olhos atentos com que eu a olhava: uma pequena epifania. Em seguida vieram o tempo, a distância, a poeira soprando. Mas eu trouxe de lá a memória de qualquer coisa macia que tem me alimentado nestes dias seguintes de ausência e fome. Sobretudo à noite, aos domingos. Recuperei um jeito de fumar olhando para trás das janelas, vendo o que ninguém veria.

Atrás das janelas, retomo esse momento de mel e sangue que Deus colocou tão rápido, e com tanta delicadeza, frente aos meus olhos há tanto tempo incapazes de ver: uma possibilidade de amor. Curvo a cabeça, agradecido. E se estendo a mão, no meio da poeira de dentro de mim, posso tocar também em outra coisa. Essa pequena epifania. Com corpo e face. Que reponho devagar, traço a traço, quando estou só e tenho medo. Sorrio, então. E quase paro de sentir fome.

(In: Caio Fernando Abreu, Pequenas Epifanias)

domingo, 10 de abril de 2011

Brilho eterno de uma mente sem lembranças




Ela une todas as coisas

como eu poderia explicar

um doce mistério de rio

com a transparência de um mar ?

Ela une todas as coisas

quantos elementos vão lá

sentimento fundo de água

com toda leveza do ar

Ela está em todas as coisas

até no vazio que me dá

quando vejo a tarde cair

e ela não está

Talvez ela saiba de cor

tudo que eu preciso sentir

Pedra preciosa de olhar !

Ela só precisa existir

para me completar

Ela une o mar

com o meu olhar

Ela só precisa existir

pra me completar

Ela une as quatro estações

Une dois caminhos num só

Sempre que eu me vejo perdido

une amigos ao meu redor

Ela está em todas as coisas

até no vazio que me dá

quando vejo a tarde cair

e ela não está

Talvez ela saiba de cor

tudo que eu preciso sentir

Pedra preciosa de olhar !

Ela só precisa existir

para me completar

Ela une o mar

com o meu olhar

Ela só precisa existir

pra me completar

Une o meu viver

com o seu viver

Ela só precisa existir

Para me completar

Image: Arquivo pessoal.

sábado, 9 de abril de 2011

Como esquecer?


Os ventos lá fora prenunciam a chegada do dia esperado. Sexto, de uma espera inalcançável que vai se findar. Meu coração bate acelerado. As janelas também batem forte. Eu não consegui dormir. Vou ter que me dopar. É chegado o dia que eu tanto esperei. Veio assim, de mansinho. Por um breve momento, nos primeiros dias no ano eu vislumbrei uma comemoração. Um vôo de fênix. Eu queria poder esquecer, como se esquecem as datas que não tem importância. Eu queria esquecer como eu esqueço os aniversários mensais de namoro, os momentos significativos de uma relação. Mas eu não consigo esquecer.

Não mais eu lerei Morangos Mofados como eu li aquele dia. Bacco não mais me entorpecerá com suas taças convidativas. Minha dor parece não ter cura. É uma ferida aberta. Perdi as contas das inúmeras vezes que sentei ao divã. Que dormi ao divã. Que chorei ao divã.

Quantas agulhas eu senti nas intermináveis sessões de sábado a fim de amenizar também as minhas dores. Até então, elas nunca haviam doído tanto. Hoje, chegam a sangrar.

Eles me dizem que vai passar. Eles me dizem que vai sarar. Que é passageiro. Mas eu me pergunto até quando. Eu leio os livros, eu faço as preces, eu tenho fé. Não a perdi. Mas eu queria sentir menos essa dor. Na última semana, ela me incomodou demais. Minhas tentativas tem sido inúteis.

A cura não está em outras bocas, corpos ou almas. Não é isso que busco. Não entendo como que uma aproximação virtual tomou tamanhas proporções. Nunca imaginei tal feito. Nunca imaginei que uma tela fria de computador fosse a ponte para a novidade. Não para ti. Acho fraqueza demais. Carência demais. Sabotagem demais.

Até a data da prova coincidiu com a data esperada. É para não esquecer mesmo. Cheguei a pensar na comemoração, num almoço de fim de tarde nas Laranjeiras. Nas partilhas, nas leituras, na poesia que teria sido tema na prova. Talvez um texto do Carpinejar. Talvez uma poesia da Cora. Ou um trecho de Água Viva. Aquelas vibrações só tuas a cada questão acertada. Aos planos diplomáticos futuros. A viagem à Angola. A luta pelas causas mais sensíveis.

As lágrimas rolam e eu me pergunto: “Como esquecer?”.

“Quando eu te vi andava tão desprevenida

Que nem ouvi tocar o alarme de perigo

E você foi me conquistando devagar

Quando notei já não tinha como recuar

E foi assim que nos juntamos distraídos

Que no começo tudo é muito divertido

Mas sempre tinha um amigo pra falar

Que o nosso amor nunca foi feito pra durar

Por mais que eu durma, eu não descanso

Por mais que eu corra, eu não te alcanço

Mas não tem jeito eu não sei como esperar

Desesperar também não vou

Não vou deixar você passar

Como água escorrendo nos dedos

Fluindo pra outro lugar

Ninguém pode negar que o nosso amor é tudo

Tudo que pode acontecer com dois bicudos

Não são tão poucas as arestas pra aparar

Mas é que o meu desejo não deseja se calar

Até os erros já parecem ter sentido

Não sei se eu traí primeiro ou fui traído

Não te pedi uma conduta exemplar

Mas é que a sua ausência é o que me dói no calcanhar

Por mais que eu durma eu não descanso

Por mais que eu corra eu não te alcanço

Mas não tem jeito eu não sei como esperar

Desesperar também não vou

Não vou deixar você passar

Como água escorrendo nos dedos

Fluindo pra outro lugar

Será sempre será

O nosso amor não morrerá

Depois que eu perdi o meu medo

Não vou mais te deixar”

(Dois bicudos – Ana Carolina)

Uma nota só

A solidão tem sido minha companheira.
Tem dias que eu convivo bem com ela. Noutros, a ausência de sentido nas coisas corrói o meu ser.
A arte de ser só eu preciso aprender.
Pra amenizar as cores, tenho agora a companhia de uma linda felina, pequenina e doce.
Ela me acalma, aperta as patinhas dianteiras em cima do edredon, como se amassasse uvas...é tão bonitinho de ver.
Essa semana li muito, coisas boas, novos autores e isso deu o tom que faltava. Senti saudades de quem se foi, senti satisfação ao olhar fotografias e perceber que a felicidade, mesmo em conta-gotas, existe.
Ainda permaneço confusa, as palavras saem, talvez incoerentes. A cada dia, sentimentos diferentes tomam conta de mim. Um dia bem, outro nem tanto.
novos passos são necessários, seguir o novo caminho.
Não pensei que fosse ser tão difícil. As expectativas me tomaram de assalto e parecem não ter resultado em nada.
É difícil largar as coisas velhas e se apegar às novas.

Hoje, a música de ontem, já que não consegui postar.

O vento lá fora me chama pra dar uma volta. Vou lá, quero ver o meu amor. Será que ele virá?

"Sai de si

Vem curar teu mal

Te transbordo em som

Põe juizo em mim

Teu olhar me tirou daqui

Ampliou meu ser

Quero um pouco mais


Não tudo

Pra gente não perder a graça no escuro

No fundo

Pode ser até pouquinho

Sendo só pra mim sim


Olhe só

Como a noite cresce em glória

E a distância traz

Nosso amanhecer

Deixa estar que o que for pra ser vigora

Eu sou tão feliz

Vamos dividir

Os sonhos

Que podem transformar o rumo da história

Vem logo

Que o tempo voa como eu

Quando penso em você"

(Encontro - Maria Gadu)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Aos teus olhos, sou poeta


Para minha pupila, com carinho.

As palavras brotaram não sei como.

Você me inspira. Você me ajuda a continuar meu movimento.

Às vezes malcriada, acaba se surpreendendo com as minhas reações.

E vai se surpreender quando abrir sua caixa de email não sei quando.

E perceber que a cena de hoje foi totalmente equivocada.

E desnecessária.

"Não vou entrar no mérito da questão”.

Te dedico.


entenda-me

apenas isso te peço

acompanha-me

nos meus passos


não deixa que o amor acabe

flua como folhas ao vento

o tempo

ah, o tempo


ele soa, inabalável

sentidos?

eu também os tenho

um trato?


espera

tudo vai se consumar

me abraça?

eu te abraço


Image: Flickr

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sob o meu véu


Antes da meia-noite.

Te procurei e não encontrei. Lembrei-me dos novos detalhes. Lembrei-me da nova vida. Por algumas horas, havia esquecido. Já não estamos mais à disposição.

É vida que segue. Melhor assim.

...

Hoje, 7 de abril de 2011 é um dia que não irei esquecer. Uma tragédia atingiu a sociedade brasileira e o meu coração chora a dor de ver um extermínio humano. E foi tão perto de mim, meu Deus! Um atirador invadiu uma escola, matou 11 jovens, feriu outros 18 e depois tirou a própria vida. Meu coração doeu e dói. Dói a perda, a incompreensão, dói o berro dos pais e mães que a partir de hoje não tem mais suas crianças. Dói também pela ferida aberta que foi deixada, pelo trauma que atingiu alunos e professores dessa escola em Realengo. Minha solidariedade a todas as famílias -inclusive a do criminoso - assim como todas as minhas preces e mentalizações. Meu afago a minha prima de segundo grau, professora, que estava no local e tudo presenciou. Com as melhores vibrações de paz, amor e luz.

...

Dando sequência...

“Eu vejo que aprendi

O quanto te ensinei

E é nos teus braços que ele vai saber

Não há por que voltar

Não penso em te seguir

Não quero mais a tua insensatez

O que fazes sem pensar

Aprendeste do olhar

E das palavras que eu guardei pra ti

Não penso em me vingar

Não sou assim

A tua insegurança era por mim

Não basta o compromisso

Vale mais o coração

E já que não me entendes, não me julgues

Não me tentes

O que sabes fazer agora

Veio tudo de nossas horas

Eu não minto, eu não sou assim

Ninguém sabia e ninguém viu

Que eu estava ao teu lado então

Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher

Sou minha mãe e minha filha,

Minha irmã, minha menina

Mas sou minha, só minha e não de quem quiser

Sou Deus, tua deusa,meu amor

(...)

O que fazes por sonhar

É o mundo que virá pra ti e para mim

Vamos descobrir o mundo juntos baby

Quero aprender com o teu pequeno grande coração

Meu amor, meu amor”

(Do Renato Russo para a Cássia Eller)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Está chegando a hora


"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso."

(C.F.A.)

...

Dia de visitar o passado. Dia de ser colo daqueles que me deram tanto colo um dia. Não vou esquecer. Não acasos. Dia de constatar que as coisas passam, as coisas mudam. Mas o amor permanece inalterado. O carinho e a preocupação também.

Talvez hoje, você me compreenda em minha preocupação, que tantas vezes, duvidou. Independente de qualquer coisa, me preocupo sim. Tenho meu momento mestre-cuca e lembro de você. Das andanças pelos corredores de supermercado. De ter que subir os quatro andares depois de horas na fila, risos.

Sua existência importa muito para mim. Não sei se faço mais parte dela, mas com você aprendi a ser mais e por tudo que se viveu, sim, você faz parte da minha. Aprendi a amar as mulheres, a admirá-las de uma forma que eu não fazia. De olhar seu conteúdo. De compreender a força de uma cantora no palco. Mais importante de tudo isso, de vê-las como aliadas, não como antagonistas. Isso é lindo.

A cumplicidade sempre foi tamanha. Em tudo. Hoje, eu percebi que ela permanece.

Refleti e ainda estou em processo de, e tudo que sei é que de algum modo, valeu muito a pena.

Sim, a vida dá voltas.

Quem sabe um dia?!

Meu coração trai a minha razão. Quando eu tinha 19 anos, uma amiga que tinha 26, sempre falava: "Coraçao burro da porra! Vou trocar você por um fígado". Eu não sei fazer isso.

Mas eu sou assim mesmo. Meu melhor amigo me acha sentimental. Para o meu primo, sou sensível demais. Eu por eu mesma, diria que vivo à flor da pele.

É a vida.

Dando sequência, Renato Russo.

“De tarde quero descansar

Chegar até a praia e ver

Se o vento ainda está forte

E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso pra esquecer

Eu deixo a onda me acertar

E o vento vai levando

Tudo embora...

Agora está tão longe

ver a linha do horizonte me distrai

Dos nossos planos é que tenho mais saudade

Quando olhávamos juntos

Na mesma direção

Aonde está você agora

Além de aqui dentro de mim...

Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou

Vai ser difícil sem você

Porque você está comigo

O tempo todo

E quando vejo o mar

Existe algo que diz

Que a vida continua

E se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui

O que posso fazer

É cuidar de mim

Quero ser feliz ao menos,

Lembra que o plano

Era ficarmos bem...

Olha só o que eu achei

Cavalos-marinhos...”

(Vento no Litoral – Renato Russo)

terça-feira, 5 de abril de 2011

Rumo ao pódio (Ou Eu, interrogações)


Sim, eu berro o meu berro. Eu berro a minha dor. Eu berro a minha ferida ainda aberta.

Eu queria não berrar, mas eu berro. A vida passa, o tempo transforma, os sentimentos mudam. Mudam os sentidos também.

Minha vontade é não sentir nada. Mas o sentir é mais forte do que eu.

Eu não queria sofrer tanto, amar tanto, chorar tanto. As horas parecem demorar a passar. Elas não passam. Em outros momentos, passam rápido demais.

Eu me questiono sobre qual será o meu papel. O que tirar disso tudo que vivi nos últimos tempos.

Como lidar com as conseqüências? Como administrar tudo isso? Sinto que tudo escorre por entre os dedos, em minhas mãos.

Nesse momento, sinto-me impotente. Sinto dor, frio, tristeza.

“Não quero ter razão. Só quero ser feliz.”

Ok. Está bom. Mas porque ser feliz é tão efêmero? Eu não sei aproveitar os bons momentos? Estou fazendo tudo errado?

Com certeza ser feliz não é dar goladas num copo de whisky e ficar louca. Nem tampouco jantar no Outback com alguém importante do passado distante. Talvez ouvir as mulheres cantando o Chico Buarque até seja. Mas os outros, não. Ou então, eu não sei o que é ser feliz.

Ou isso tudo é ser feliz e eu não estou aceitando a felicidade. E já é quase meia noite. O sono veio, mas foi embora. A vontade de escrever foi maior. Amanha preciso acordar cedo. Mas não tenho vontade. E os exames? Preciso fazê-los logo. Preciso cuidar de mim, fazer as coisas andarem. Sair da estagnação. Mas é tão fácil falar. Fazer é tão difícil.

Vamos ver como vai ser...é preciso estar no ponto de partida.

Um estrela brilha no céu

Nosso gatinho não resistiu ao envenenamento. Ele se foi na manhã dessa terça-feira.

Seguem os dias, segue a vida, permanece a dor. Daqui a pouco tudo se dissipa.

É a vida, um dia bom, outro dia ruim.

Te amarei para sempre, Tom. Obrigada pela alegria, pelas artes em meio a minha mesa, aos fios que você puxava e quebrava a minha rotina exaustiva dentro desse escritório.


Dentro da noite voraz

Detrás do avesso do véu

Atravessa este verso

A vontade nua

Tua, tua

Tua e só tua

Dentro da noite feroz

No breu das noites brancas de hotel

No clarão, no vasto, no vago

No vão, no não, na multidão

Tua, tua

Tua e só tua

Dentro da noite fulgás

Estrelas a se consumir

Arde o gás que faz esta canção

Será que você vai me ouvir?

Tua, tua

Tua e só tua

Na areia, na neve marinha

No dentro do dia, tua

Na areia, na neve marinha

No motor do dia, tua

Tua, tua

Tua e só tua

(Tua - Adriana Calcanhotto)

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Segunda-feira acordou triste.

Há tempos a inspiração não vem. Ou vem e eu não escrevo. Falta mais vontade, falta mais doçura, para adoçar a vida.

É bom sair pra dançar, rever amigos, encontrar um amor do passado. Ouvir o Chico sendo interpretado por belas vozes femininas, numa apresentação seleta. Ver fazer 18 anos, aquele bebezinho que você colocou no colo, quando ainda era uma menina. Perceber quanto tempo passou, lembrar de tudo com saudade. Sentir falta de alguém e chorar sozinha. Mas isso tudo é tão efêmero.

Hoje cheguei no trabalho e o nosso gatinho estava desaparecido. Eu amo os animais. Eles me trazem mais alegria do que os humanos. Não por acaso, estava subindo as escadas e avistei um corpinho em meio a alguns escombros, numa laje abandonada. Era ele. Pensei que estivesse morto. Ao me aproximar, estava com os olhos abertos, clamando por socorro. Surtei. Sim, eu surtei. Não consegui represar minhas emoções. Que situação. Que barbaridade. Que tristeza. O peito dói. O órgão vital sangra, com a faca na carne.

Levamos a uma clínica. Primeiro diagnóstico: a temperatura do corpo estava abaixo de 20 graus. Hipotermia + Pneumonia aparente.

Daqui a alguns minutos, se a temperatura elevar, podemos ter esperança de melhora.

Aguardo ansiosa...

A letra abaixo está na cabeça, depois da inesquecível interpretação daquela força de mulher que é Margareth Menezes.



Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim

Não me valeu

Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!

O resto é seu


Trocando em miúdos, pode guardar

As sobras de tudo que chamam lar

As sombras de tudo que fomos nós

As marcas de amor nos nossos lençóis


As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar

Pode esquecer

Aquela aliança, você pode empenhar

Ou derreter


Mas devo dizer que não vou lhe dar

O enorme prazer de me ver chorar

Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago

Meu peito tão dilacerado


Aliás

Aceite uma ajuda do seu futuro amor

Pro aluguel

Devolva o Neruda que você me tomou

E nunca leu


Eu bato o portão sem fazer alarde

Eu levo a carteira de identidade

Uma saideira, muita saudade

E a leve impressão de que já vou tarde.

(Chico Buarque/Francis Hime)