segunda-feira, 4 de abril de 2011

Segunda-feira acordou triste.

Há tempos a inspiração não vem. Ou vem e eu não escrevo. Falta mais vontade, falta mais doçura, para adoçar a vida.

É bom sair pra dançar, rever amigos, encontrar um amor do passado. Ouvir o Chico sendo interpretado por belas vozes femininas, numa apresentação seleta. Ver fazer 18 anos, aquele bebezinho que você colocou no colo, quando ainda era uma menina. Perceber quanto tempo passou, lembrar de tudo com saudade. Sentir falta de alguém e chorar sozinha. Mas isso tudo é tão efêmero.

Hoje cheguei no trabalho e o nosso gatinho estava desaparecido. Eu amo os animais. Eles me trazem mais alegria do que os humanos. Não por acaso, estava subindo as escadas e avistei um corpinho em meio a alguns escombros, numa laje abandonada. Era ele. Pensei que estivesse morto. Ao me aproximar, estava com os olhos abertos, clamando por socorro. Surtei. Sim, eu surtei. Não consegui represar minhas emoções. Que situação. Que barbaridade. Que tristeza. O peito dói. O órgão vital sangra, com a faca na carne.

Levamos a uma clínica. Primeiro diagnóstico: a temperatura do corpo estava abaixo de 20 graus. Hipotermia + Pneumonia aparente.

Daqui a alguns minutos, se a temperatura elevar, podemos ter esperança de melhora.

Aguardo ansiosa...

A letra abaixo está na cabeça, depois da inesquecível interpretação daquela força de mulher que é Margareth Menezes.



Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim

Não me valeu

Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim!

O resto é seu


Trocando em miúdos, pode guardar

As sobras de tudo que chamam lar

As sombras de tudo que fomos nós

As marcas de amor nos nossos lençóis


As nossas melhores lembranças

Aquela esperança de tudo se ajeitar

Pode esquecer

Aquela aliança, você pode empenhar

Ou derreter


Mas devo dizer que não vou lhe dar

O enorme prazer de me ver chorar

Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago

Meu peito tão dilacerado


Aliás

Aceite uma ajuda do seu futuro amor

Pro aluguel

Devolva o Neruda que você me tomou

E nunca leu


Eu bato o portão sem fazer alarde

Eu levo a carteira de identidade

Uma saideira, muita saudade

E a leve impressão de que já vou tarde.

(Chico Buarque/Francis Hime)

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