quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

S.A.U.D.A.D.E.


Sempre achei bacana o fato da nossa língua portuguesa ter uma palavra especial em seu vocabulário, sem qualquer correspondente em outros idiomas.

Além de ser bonita, ela tem uma sonoridade: “saudade”, “sau-Da-de”, “saudade”...fico aqui repetindo e percebendo os fonemas, as entonações que minha boca faz, a sintaxe, a cor, o sabor, o som. Palavra gostosa de falar, palavra gostosa de sentir.

Costumamos sentir saudades de momentos especiais vividos, de pessoas especiais que passaram por nossas vidas, de outras, que estão geograficamente longes. Esses dias, ouvi uma frase que dizia que “a gente só lembra daquilo que esqueceu”. Discordo totalmente.

Não vivo em nostalgia, mas, sim, tenho momentos em que lembro com muito carinho de coisas que não vivo mais, entretanto, já vivi antes, e não esqueci. Lembro e sorrio do que se foi, lembro e produzo reflexões profundas sobre o significado daquele Ali e Agora, eternizados para sempre, dos quais nunca mais vou esquecer.

Quando penso em saudade, penso nas coisas boas, nas coisas ruins também, em tudo aquilo que eu já possa ter passado que contribuiu para que eu me tornasse a pessoa que sou hoje. Pensei em saudade e lembrei do meu primeiro beijo. Senti saudade do sentimento do “novo” que invadiu o meu ser naquele momento. Lembrei do nosso querido Dudu que se foi precocemente quando eu estava saindo da adolescência e aprendendo a lidar com as primeiras dores reais da vida adulta. Quando se começa a descobrir coisas que o olhar inocente enxergava e não via. Lembrei do meu primeiro namorado e seu choro apaixonado a cada vez que sentia a tal “saudade” ; eu não compreendia isso bem. Também lembrei-me, do cheio de arruda e guiné, nas rezas de minha avó que perpassaram toda a minha infância. “Contra mau olhado e quebranto”, ela me explicava.

Ao pensar em sobre o meu próximo texto para este “movimento & inspiração” que pretendo fazer, senti saudade do meu primo querido, que está a alguns milhares de quilômetros de distância e de como é bom sentir a presença dele, quando estamos cara a cara, nos olhando, nos compreendendo, aprendendo um com o outro. Então, lembrei –me de uma definição, lida em algum lugar, que diz que “saudade é a presença na ausência”. Ela consegue definir o meu sentimento de saudade. Em relação ao meu primo, a minha avó – hoje em outro plano – e toda sua sabedoria independente da escolaridade, ao Dudu e tantas outras pessoas e momentos que vivi.

É bom relembrar a infância, sentir saudade de tudo que se foi. Dos domingos na feira com meu pai, comendo queijo ralado na hora, dos bolões de figurinhas que ele comprava para mim e minha irmã, dos passeios com minha mãe, das viagens em família para Angra.

É bom, também, relembrar as dificuldades passadas e sentidas, da queda e do coice, do bullying no colégio, da maturidade alcançada precocemente, das perdas afetivas e emocionais, das perdas de entes queridos, que eu pensara serem imortais.

Penso que a saudade é essencial para sermos o que somos hoje e depois e depois...

Lembrar do que se foi, ser invadido por um sentimento gostoso, de tudo que se foi e não volta mais. A palavra constante da “última flor do Lácio” que consegue expressar esse sentimento inexplicável que eu sinto aqui em meu peito e você sente também, com certeza. Quase sempre.

Leva a pensar nos progressos que fizemos, nas conquistas realizadas, nas perdas necessárias ao nosso aprimoramento, nas dificuldades. Tudo isso eu não quero esquecer. Reitero: foram essenciais para eu ser quem eu sou.

Despeço-me, com saudades dos cheiros, sons, sabores inerentes a cada época da minha vida. Cada um, especial e inesquecível ao seu tempo, cada tom de cada música que eu escutei. Sim, ela me ajuda a lembrar de muita coisa que passou e eu havia guardado lá no fundinho da memória, para recordar, na ocasião oportuna. Hoje eu fiz isso.


Imagem: Arquivo pessoal.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Recebi ontem a letra que partilho abaixo, de alguém que realmente me amou e ama verdadeiramente, do jeito que eu sou, com certos e errados. Alguém que sempre me quis feliz, me fazer feliz e estar ao meu lado. A letra é linda, por vezes, passa batida, pela melodia já tão familiar, mas vale a pena refletir sobre ela.
Boa semana, com as melhores vibrações de paz, amor e luz.

Quero sua risada mais gostosa

Esse seu jeito de achar

Que a vida pode ser maravilhosa...

Quero sua alegria escandalosa

Vitoriosa por não ter

Vergonha de aprender como se goza...

Quero toda sua pouca castidade

Quero toda sua louca liberdade

Quero toda essa vontade

De passar dos seus limites

E ir além, e ir além...

Quero sua risada mais gostosa

Esse seu jeito de achar

Que a vida pode ser maravilhosa

Que a vida pode ser maravilhosa...

Quero toda sua pouca castidade

Quero toda sua louca liberdade

Quero toda essa vontade

De passar dos seus limites

E ir além, e ir além...

Quero sua risada mais gostosa

Esse seu jeito de achar

Que a vida pode ser maravilhosa

Que a vida pode ser maravilhosa...

(Vitoriosa - Ivan Lins)


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Go let it in


Se você quer me seguir

Não é seguro

Você não quer me trancar

Num quarto escuro

Às vezes parece até

Que a gente deu um nó

Hoje eu quero sair só...

Não demora eu tô de volta

Tchau

Vai ver se eu tô lá na esquina

Devo estar

Tchau

Já deu minha hora

E eu não posso ficar

Tchau

A lua me chama

Eu tenho que ir prá rua

Tchau

A lua me chama

Eu tenho que ir prá rua...

(Hoje eu quero sair só - Lenine)


Estou respirando Lenine...
Sofrer, sentir, agir, decidir, viver, curar, esquecer, seguir em frente.
Domingo, pé de cachimbo.
Fiz escolhas acertadas até o presente momento, neste primeiro dia da semana.
Amei, fui amada. Senti, fui sentida. Curei, fui curada. Ou me deixei ser.
Pra que buscar a loucura febril, se tudo pode ser tão simples?
Para que complicar as coisas mais ainda?
Deixa fluir.
Lembrei de Oasis...Liam cantando lindamente: "Paint no illusion, try to click with whatcha you got/ taste every potion cause if you like yourself a lot/ GO LET IT OUT, GO LET IN, GO LET IT OUT"

Se quiser, fique com suas ilusões perdidas ou passe a gostar mais de si mesmo.

Em breve, entraremos em construção. Estamos nos preparando para novos rumos. Mas o que está posto, não será perdido. Já foi dito.
Mas o que será, não sei ainda.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Chegou a hora


Para Walter, que acende as minhas anteninhas, quando elas insistem em apagar.

Ao som de Gluck - Dance of the blessed spirits (Amo essa composição!)

Acabo de lembrar o sonho que tive essa noite. Eu estava no colégio! Pasmem! Matava aula pra ficar namorando e perdia o tempo. O curioso é que no sonho não havia inspetores a fim de me proibir a faceta. Eu ficava tranqüila e calma num canto do pátio. Que loucura. Como a mente da gente é tão complexa.

Depois, no próximo tempo de aula, lá estava eu, sentada na carteira e esperando o professor. Freud explica. Amores reprimidos? Censura zero? Acho que é isso.

Acordei ainda há pouco. O dia está lindo. Um sol maravilhoso. Mas minha garganta dói um pouco.

Cai da cama com o despertador de outrem. Quando estava levantando-me para ir trabalhar, lembrei que hoje é sábado. Sossega, Manoela.

Nossas vidas são tão frenéticas. O relógio tenta me controlar o tempo inteiro. Mas eu não permito essa ousadia da parte dele não. Detesto fazer as coisas correndo. Outro dia, percebi que toda vez que entrava no carro e pegava no volante, eu estava desesperada para chegar aos destinos. Mas que pressa, meu Deus!

Pra quê isso? Eu que acorde mais cedo (mas eu não sou fã de acordar cedo), saia mais cedo e dirija mais tranqüila. Parece que estamos o tempo inteiro nessa velocidade que nos assalta e faz reféns. Isso é doentio. E acho que não estou sozinha.

Observo as pessoas o tempo inteiro correndo, comentando sobre a falta desse, deixando de poder viver as coisas mais bacanas da vida, devido a correria da vida cotidiana. Trabalho, estudo, faculdade, filhos, casamento, trânsito.

E a cada dia, tenho mais certeza de que é preciso apreciar as coisas mais simples, pois são as que nos fazem mais felizes.

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Janeiro terminou, fevereiro está entrando e a hora do descanso terminou. Foi produtivo, repleto de muita reflexão, constatação, calmaria. Coração mais tranqüilo. Deixa o barco correr, deixa a vida levar.

Amor não se compra, se conquista. A frase parece clichê mas não penso que seja. Quero amar, quero amor. Quero meu coração sossegado. Não quero idas e vindas, quero sossego, como Tim Maia cantava.

Estou tentando. Até quando, não sei, mas estou. Até quando o coração quiser. Até quando a razão começar a falar mais alto. Porque eu quero ser feliz demais. Eu e o mundo. E nós temos o direito de ser felizes.

Sem amor, nada seríamos.

Acho que 2011 começa de fato, agora. É hora de sair a velejar, começar o movimento pelas coisas boas, pelas conquistas. O mar não vai estar sempre calmo, como agora. Enfrentarei tempestades, eu sei. Mas estou preparada para as águas que virão. Já consertei as velas, reformei o casco do barco, pintei de azul e branco, retoquei o ‘Morangos Mofados’ da proa, desenhei estrelas na popa, conferi as âncoras a fim de parar quando for necessário. A cabine já está arrumada, simples, mas aconchegante. Os livros já estão lá, serão meus companheiros nessa jornada. O tempo chegou. Não há mais o que esperar. Alguns estarão comigo. Outros ficarão definitivamente para trás, porque o momento é esse. Deixa eu ir, fazer as coisas devagar, faltam apenas algumas horas para o embarque.