segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
“Parem de falar mal da rotina”
O ano passou rápido, mas parece que os dias de dezembro passaram vagarosamente.
Especialmente, quando estava mais próximo ao Natal.
Foi um mês de perdas e de ganhos. É o jogo da vida. Lembrei agora de um trecho de “What it takes”, no Steven Tyler cantando:
“Tell me what it takes to let you go
Tell me how the pain's supposed to go
Tell me how it is that you can sleep in the night
Without thinking you lost everything that was good
In your life to the toss of the dice
Tell me what it takes to let you go”
um rolar de dados...é, acho que é assim mesmo...
Está na hora de virar a página, de deixar as coisas acontecerem novamente.
De voltar à rotina de antes.
Semana passada, tomei um café especial com um amigo muito especial. Em meio àquela correria de pernas apressadas, rumo ao consumismo desenfreado do Natal, deveras exagerado, sentamos à mesa, tranquilamente, conversamos e pensamos em como pudemos ficar tanto tempo sem nos encontrarmos.
Falamos de livros e eu finalmente entreguei o que comprei de presente para ele, no Natal de 2008. Dois anos se passaram. Tempo, tempo, tempo. Essa frase me lembra alguém.
No dia 24, ajudei minha mãe com os preparativos da ceia.
Nossa ceia foi linda e especial. Eu, meus pais, meus irmãos e o aniversariante. Espero que ele tenha gostado da surpresa que fizemos.
No dia 25, fritei bolinhos de bacalhau, como faço todos os anos, mantendo a tradição.
Ontem, dia de dormir até mais tarde. Para não perder o costume. (Risos). Nesse calor, fica mais complicado, porque o ar condicionado pifou e eu acordo o tempo inteiro. À tarde, assisti uma palestra muito bacana e depois, como boa carioca que sou, fui passear na Lagoa e aproveitar para ver a árvore de natal.
Foi maravilhoso voltar à rotina, sair da toca, sentir a vibração da cidade, das pessoas, observar a bela vista do mirante em que eu me encontrava. Sentir o carinho e o respeito de quem ama a gente, quando mais precisamos de um colo. Foi tudo de bom.
Obrigada ao universo por permitir que eu tenha alguns anjos em minha vida, caminhando ao meu lado em todas as circunstâncias. Fazendo-se presentes em momentos-chave, muitas vezes, sem nem saber o quanto preciso daquele colo.
Aproveito as boas vibrações, para desejar aos meus poucos leitores, se é que os tenho, um ano novo repleto de paz, amor, saúde e prosperidade. Que tomemos consciência de que cada gesto nosso exerce influências sobre o todo universal. Que possamos amar mais e permitir que sejamos amados. Que compreendamos que TODOS somo UM.
Carinhosa.mente,
M.A.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Ainda é possível dizer eu te amo?
Minha cabeça está fora daqui. Quando essa dor vai passar?
Hoje ela está menor, obviamente.
A noite também foi muito melhor. Eu dormi tão bem.
Estava sentindo falta disso. Pois eu deitei e desmaiei, assim, simplesmente. Depois acordei. Após um tempo, tornei a dormir.
São tantas surpresas a cada dia. São tantas novidades. Não estou dando conta.
Não era assim. Mas as pessoas mudam. Mudam mesmo.
E nos surpreendem.
Preciso sair daqui logo. Lembrei do Caio.
Posto aqui, parte de textos impreganados em minh'alma.
Eu ainda te amo. E sim, ele me faz lembrar de você.
***
Meu Deus, não sou muito forte, não tenho muito além de uma certa fé- não sei se em mim, se numa coisa que chamaria de justiça-cósmica ou a-coerência-final-de-todas-as-coisas. Preciso agora da tua mão sobre a minha cabeça. Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. Que eu continue alerta. Que, se necessário, eu possa ter novamente o impulso do vôo no momento exato. Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém. Livra-me dos poços e dos becos de mim, Senhor. Que meus olhos saibam continuar se alargando sempre.”
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
“Lá vem o amor, a nos dilacerar outra vez.”

Pernas trêmulas, mãos idem. Dirige aos prantos. Deseja chorar como se fosse a última vez. Desceu as escadas, se espatifou e ninguém viu. Vã tentativa de reconciliação. Ela não quer mais a sua insanidade. Ela não quer mais o seu abraço. Ela não quer mais você.
A vida andou, embora você não tenha experimentado o mesmo. Hoje ela compõe e você não quer ouvir suas palavras. Ela não sabe que você pensava ser uma poesia para ela. Como das outras vezes. Tanta inspiração. Já não tem mais hoje. Ela foi ríspida e incisiva porque tinha certeza que era uma poesia. Mas não é. Já era.
Lágrimas correm, coração saindo pela boca. Só queria sentir o perfume do seu cabelo. Sentir o seu corpo respirar. Mas não há mais nada. It’s over. Game over. A vida é um jogo. “Love is a losing game” a Amy disse, mas ela nunca acreditou.
Hoje ela entende que sim, a vida é um jogo de azar. E o amor? O que é o amor?
É assim que termina? Coração dilacerado, cabeça perdida, atropelamento de palavras. Como assim? E aquela paz? E aquele silêncio? E aquela respiração tua em meu peito? Ou a minha no teu peito?
Da primeira vez foi menos traumático. Não pode ser isso. E a reciprocidade? Se perdeu, nunca existiu, nos iludimos?
Por que essa dor não passa? Por que o corpo sente todas essas dores? Por que você se tortura querendo mais e mais e mais? Já não há mais. Acabou. Compreenda.
É impossível. Antes, admiração, carinho, docilidade, tranqüilidade, leveza, luz. Hoje, trevas. Escuridão total. Não enxergo nada.
É isso o amor? Preocupar-se mais com ela, do que com você?
Ela não almoçou. Você fica preocupada. E os nutrientes? Mas você também não almoçou.
Só tomou aquele cafezinho de manhã, antes das oito, quando ainda estava no divã. Ela não sabe disso. Afirma que seu caso é psiquiátrico. Não sabe de nada. Seria loucura? Ela também não sabe que você tem sentado no divã quase todos os dias, depois das noites mal dormidas. Como seu terapeuta tem sido paciente. Chora tanto, que chega a dormir. Ele deixa. Tudo, na busca de compreender a si mesma. Compreender como chegou a tal ponto de miséria humana. A ponto de implorar o seu abraço. Eles eram gratuitos. Dormiam de conchinha, enlaçadas.
Sua Cinderela já não existe mais. Tudo não passou de um sonho. Sonho lúcido? Ou devaneio? Ela não quer calçar a sapatilha de cristal. Mas é a cara dela. Você só queria isso. Ver como ficava no pé. Você comprou para ela. Ela pensa que você quer comprá-la. Tolice. Foi tão natural. Mas esse momento não é oportuno, ela alega. Não é hora de abrir o pacote. Em ocasião propícia, procederemos à troca de presentes.
Mas você não quer trocar presentes. Você não quer presentes. Você não quer nada material em troca. Você só quer amor. Indaga a si mesmo para quê tanto protocolo? Não entende o “deixe pra semana que vem”. Não vai haver semana que vem. Não há mais coração que agüente. A carne sangra, a cada aproximação. Porque esse é só o começo do fim da nossa vida. Da nossa vida a dois.
Image: Relativity - Stairs to nowhere - Mc Escher
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
A vida é doce?
Acordei com suores, angustiada. Lá fora, os primeiros sinais do alvorecer. Pássaros de cantos diversos fazem uma sinfonia da natureza. Não dormi as minhas oito horas almejadas. Talvez quatro seja um bom número. Tentei não lembrar as coisas que ele me orientou, continuei a revirar-me na cama, sem vontade de fazer nada. São as minhas horas de sono. Mas meu corpo não tem me respeitado. Sim, isso é um estado passageiro. Daqui a pouco, tudo vai voltar ao normal.
Ontem, ouvi um choro desesperado, do outro lado da linha. Uma voz que ansiava por outra voz, de alento. Tenho tentado manter a serenidade em meio ao caos. Por que parecemos equilibrados, quando na verdade, estamos anestesiados de tanto sofrimento? Lágrimas represadas, continuo meu movimento. Quero seguir em frente. Também quero força. Preciso dela para continuar, afinal.
Alguém me condenou por eu ser assim, mas eu sempre estou preocupada em acolher bem a quem eu amo. Mas que problema há nisso? Em me doar a quem precisa de mim? É porque existem limites. Sim, eu sei. Mas não estou conseguindo mudar o padrão.
Cocoricó. Tem uma galinha solitária lá fora. Sinto-me solitária que nem ela. Ela se expressa de lá, eu me expresso daqui. Mas quem estará a me ouvir? Sinto um gosto amargo na boca. Será o gosto do fel? Cocoricó. Pensamentos rondam minha cabeça. Eu quero fugir de mim mesma. No que eu me tornei? As horas estão passando e nada. O dia já começa. Mais um dia.
Os questionamentos de ontem me deixam perdida agora. Mas eles são necessários. Para aprender a crescer, é preciso sofrer. Mesmo que você só perceba isso depois que tudo passou. Está pronto. Agora você já fez tudo errado. Está feito.
Acho que o Pitoco me ouviu. Alguém nesse mundo vazio me percebeu. Ele está achegado a mim, me olhando, olhos azuis, fixos. Ele também quer carinho. Todos queremos. Paro um pouco e faço carinho. Preciso mudar, para modificar o meu redor. Cocoricó, ela continua.
Fique bem, meu bem. Tudo vai dar certo. Eu acredito em você. Vou te ver chegar até lá. Cantaremos, vitoriosas. A noite, tomaremos vinho chileno, aquele seu, que você guardou a garrafa com tanto carinho. No dia seguinte, caminharemos até aquele parque e encontraremos o Eloi. Dessa vez, vamos ler os livros que levamos, meditar, olhos fechados. Não falaremos de Martha. Falaremos de nós três. Tudo estará tão mudado, após tanto tempo. As setas estavam na direção correta? Conseguimos achar o caminho? Será que ele ainda vai nos ensinar a subirmos sobre nossas colunas? É para aliviar as dores do mundo, dos fardos pesados que carregamos? Espero que sim. Quando eu olho pra ele, lembro do meu primo.
Depois de descermos as colinas, comeremos aquela sua comida preferida, que você me ensinou a apreciar também. Caminharemos até a galeria de arte para ver as fotos da nova exposição. Eu amo aquelas fotografias. Vamos levar o Eloi também. Penso que ele vai gostar.
Vou ficar imensamente feliz pela tua visita. Agenda lotada agora. Muitos compromissos de ambos os lados. Pra terminar, podemos ver o por do sol no Arpoador, que nem o Cazuza fazia. Cada uma vai falar em voz alta seu trecho preferido, ou, o que vier a cabeça, na hora. Vamos saudar Iemanjá e pedir sua proteção. Agradecer a Deus por ter nos guiado até aqui. Por termos mantido a lucidez. Ao fim do dia, tudo estará bem, sem vãs preocupações. Quero acreditar que um dia elas terão fim. Mas não sei se acredito muito. Depois disso tudo, eu vou poder dormir as minhas oito horas sem interrupções e acreditar que o futuro era certo.
Ao som de Erik Satie, pra lembrar o Caio. Sempre.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Recomeçar

Madrugada adentro, perco-me de mim mesma. O Kadu me disse para não deitar e rolar, mas para ir fazer qualquer coisa que seja. Levanto, pego o computador e começo a escrever.
Dias adentro, madrugadas afora, aqui estou, mais uma vez, pensando nos casos e acasos da vida. Nos encontros e desencontros. É preciso se perder para se encontrar. Acho que já li essa frase em algum lugar.
Pensamentos me tomam a cabeça. Meu movimento precisa ser progressivo, um dia de cada vez, um momento de cada vez, um passo de cada vez.
Me perdi nas certezas absolutas do futuro. Me perdi nas tentativas não feitas, nas coisas não ditas, nos planos que nunca saíram do papel. Me perdi ao acreditar nas pessoas, nas mentiras travestidas de verdade, no achar que o mundo é bom, coisa e tal, é preciso sempre dar um chance, tentar outra vez. E eu tentei. E foi em vão.
Meus olhos me olham arregalados, perplexos, diante da figura gélida, fria, que me tornei. Muitas vezes, não há mais espaço para a luz. A luz refletida um dia. Eles me reprovam, como se dissessem você está errada, não se perca no agora, há uma vida logo a frente, ou, fragmentos dela. Mas há. Há vida lá fora ainda.
O sol está lá fora, basta olhar. As portas estão abertas, pode acreditar. Anteontem eu bebi whisky e fumei cigarros de bali, pensando em como seria daqui pra frente. Eu chorei lágrimas amargas e dolorosas, como eu prometi nunca mais chorar.
Eu lembrei do Caio, do Renato, da Clarice. Cantarolei “como é que se diz eu te amo”. A esperança me tomou, por momento. Mínimo que seja.
Já não me recordo de mais nada. Desejei esquecer de tudo. E do muito que ainda resta, ainda estou aqui, a mergulhar nos sonhos que um dia eu tive e descobri serem castelos de areia.
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
O amor à sétima arte me faz amar

Final de setembro, início de outubro. Está aberta a temporada de cinema no nosso Rio de Janeiro. Como todos os anos, o Festival de Cinema do Rio traz centenas de filmes de todos os gostos, cores e sabores para agradar a gregos e troianos.
Mais animada do que no ano passado, eu comprei ingressos para assistir alguns filmes. O primeiro deles foi “A última estação”, uma cinebiografia do escritor russo Leon Tolstoi. Belíssima projeção. Assisti no último sábado.
O filme trata sobre os últimos anos da vida de Tolstoi, um pregador incondicional do amor. Aristocrata de berço, ele compreendeu, com o caminhar da vida, que as coisas mais simples são as mais importantes. Optou, então, por uma trajetória desprovida de riquezas materiais, preferindo construir riquezas morais, deixando um legado importantíssimo para a humanidade, através de sua obra.
Baseado no livro “A última estação – os momentos finais de Tolstoi” (Parini, Jay. Ed. Record, 2009), o diretor Michael Hoffman fez uma bela reconstituição do início do século XX, desde os cenários, até a maquiagem e cenografia. Um belo retrato da Rússia nos anos 1900.
Saí emocionada, com vontade de ler todos os escritos do Tolstoi. Saí reverberando amor, sentindo o amor correr nas veias.
Eu mesma, por vezes, complico tanto as coisas. É preciso simplificar. Amar, perdoar, sentir, perder, ganhar, acrescentar com nobreza de alma e de coração. Pensar no todo, pensar nos outros, deixar de lado o véu do egoísmo que cobre os olhos.
Para amar em verdade, é preciso se libertar do medo de amar. Todas as formas de amar são válidas.
Fica a minha dica de filme aos amantes ou não, da sétima arte. Que venham os próximos!
“O homem ama porque o amor é a essência da sua alma.” (Leon Tolstoi)
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Até quando?
O Estado americano de Virgínia executará nesta quinta-feira Teresa Lewis, 41, condenada por auxiliar na morte de seu marido e enteado. Lewis será a primeira mulher executada em quase cem anos, em um caso que atraiu apelos da União Europeia e uma comparação do Irã com a iraniana Sakineh Ashtiani.
Lewis, que teria graves problemas de aprendizado, deve receber a injeção letal às 21h (em Brasília) no Centro de Correção Greensville, em Jarratt. Ela foi acusada de contratar assassinos de aluguel, aos quais ofereceu sexo, dinheiro e uma parte do seguro de vida, para matar os dois, em outubro de 2002.
Americana Teresa Lewis foi condenada a morte por ajudar no assassinato do marido;
Mesmo diante dos apelos internacionais contra a pena de morte, nem o governador Bob McDonnell, nem a Corte Suprema dos EUA quiseram intervir por Lewis. Seu advogado, pago pelo Estado, alegou que ela não tinha a inteligência necessária para organizar os assassinatos e que foi manipulada pelos assassinos, que seriam seus amantes.
Os defensores de Lewis dizem que ela é uma mulher mudada e que mesmo suas colegas de prisão dizem que ela é uma inspiração por sua fé e música gospel que canta no Centro de Correção para Mulheres Fluvanna.
Em uma carta a McDonnell, a UE pediu ao governador que alterasse sua sentença para prisão perpétua, citando a deficiência mental de Lewis, o que seria contrário aos padrões mínimos de direitos humanos.
O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, também apelou para o caso de Lewis, mas para rebater as duras críticas recebidas pelo caso da iraniana Ashtiani, condenada ao apedrejamento por adultério e participação no assassinato de seu marido. Ele denunciou um padrão duplo diante do "silêncio da mídia" sobre o caso de Lewis, que considera similar.
Lewis encontrou Rodney Fuller e Matthew Shallenberger em uma loja da rede de supermercados Wal-Mart, em Pittsylvania. Ela ofereceu sexo e dinheiro por armas que entregou aos assassinos contratados para matar seu marido, Julian Clifton Lewis Jr, e seu filho, Julian Lewis, que tinha um seguro de vido de US$ 250 mil em nome do pai.
Na noite anterior ao Halloween, em 2002, Shallenberger e Fuller entraram na casa e mataram os dois homens a tiros. Quando Julian ainda estava sangrando, deitado no chão, Lewis pegou a carteira do bolso de sua calça, tirou US$ 300 e deu aos assassinos.
Os advogados de Lewis alegam que Shallenberger admitiu ser o autor do crime e que enganou Lewis para conseguir parte do seguro de vida. Shallenberger cometeu suicídio na prisão, em 2006. Ele e Fuller foram sentenciados à prisão perpétua.
A execução de Lewis seria a primeira de uma mulher em Virgínia, segundo Estado americano com mais execuções, desde 1912. Texas foi o último Estado a matar uma condenada, em 2005.
Das mais de 1.200 pessoas condenadas à pena de morte desde 1976, quando a Suprema Corte dos EUA retomou a punição, apenas 11 eram mulheres.
Fonte: Folha Online - Mundo
domingo, 19 de setembro de 2010
Por uma nova perspectiva
Sensação. Sentir. Sensível. Talvez um pouco subjetivo demais, no entanto, uma oportunidade que a maioria das pessoas desperdiça, preocupada com “ter” mais do que “ser”.
Esse sentir significa olhar o mundo com os olhos do coração, olhar as pessoas e ver além do que elas aparentam ser. As aparências enganam. É importante conhecer antes de julgar; Ter mais cuidado ao olhar o outro. Compreender mais, tolerar mais, reconhecer mais. A vida é uma oportunidade contínua de aperfeiçoamento.
Às vezes, me sinto um peixe fora d’água, um sentimento de não -pertencimento ao mundo. Às vezes, fico perplexa com certas atitudes do ser humano. Onde está a sensibilidade? Onde está a caridade? Onde está o entendimento?
------------------------------------------------------------------------------
Não sei se sou sensível demais e ando me comportando de maneira inadequada aos moldes sociais. Há dois dias, me acometeu uma virose. Acordei bem, trabalhei, agradeci a Deus pela oportunidade de viver mais um dia de provas e expiações. Busquei passar todas elas com sabedoria, ouvi verdadeiramente os meus próximos, fiz trocas humanas saudáveis. Eis que, ao fim do dia, minha disposição caiu a zero, meu corpo mal respondia, dores, febre, mal estar geral e todas as características da virose: da cama para o banheiro, do banheiro para a cama.
No dia seguinte, liguei para o centro holístico que freqüento há quase dez anos, com freqüência semanal, a partir desse ano, e ao explicar que não poderia comparecer ao meu tratamento – porque impossibilitada de locomoção – recebi como resposta, minutos depois, que teria de pagar pelo mesmo, na próxima sessão, porque não desmarquei com 24 horas de antecedência. Mas eu me pergunto como desmarcar algo, se 24 horas antes, eu estava ótima, linda, bela e feliz. Sem o mínimo sinal de que algumas horas depois eu estaria de cama?
Cadê a sensibilidade? Onde está o respeito? Penso que como freqüentadora assídua do lugar, poderia haver um mínimo de compreensão da minha situação. Mas o dinheiro sempre em primeiro lugar.
Senti-me desrespeitada, desmerecida. Percebi que mesmo num centro holístico, eu sou uma mercadoria de troca. Não generalizo minha opinião, pois tenho certeza absoluta que outros profissionais que ali trabalham, não agem assim. Porque já fui atendida gratuitamente em outras ocasiões, por eles, e conheço sua postura. Mas a porta-voz do dono da casa age de forma equivocada, talvez instruída por ele ou talvez este nem saiba que ela faz isso. Tive vontade de abandonar tratamento, de abandonar tudo. Mas tenho que relevar e agir diferente, com sabedoria e diplomacia. Afinal, todos precisamos uns dos outros. Eu preciso deles. E eles também precisam de mim. Todos somos um.
-----------------------------------------------------------------------------
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Meu desejo de aniversário

Vamos celebrar
A estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja
De assassinos
Covardes, estupradores
E ladrões...
Vamos celebrar
A estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação...
Celebrar a juventude sem escolas
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião...
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade...
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta
De hospitais...
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras
E seqüestros...
Nosso castelo
De cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia
E toda a afetação
Todo roubo e toda indiferença
Vamos celebrar epidemias
É a festa da torcida campeã...
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar o coração...
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado
De absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos
O hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
Comemorar a nossa solidão...
Vamos festejar a inveja
A intolerância
A incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente
A vida inteira
E agora não tem mais
Direito a nada...
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta
De bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isto
Com festa, velório e caixão
Tá tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou
Essa canção...
Venha!
Meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha!
O amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça
Venha!
Que o que vem é Perfeição!...
Hoje é meu aniversário. Pode parecer um paradoxo eu postar aqui a letra de uma música como “Perfeição”, do grande poeta Renato Russo. Mas não. Fere a carne, corrói tudo, celebrar essa música. Mas ela é mais atual do que nunca e tem tudo a ver com as escolhas.
Não acredito que tenha sido por acaso que, hoje, enquanto dirigia até o trabalho, ela tocou em meu rádio. Para mim, o acaso não existe.
Sim, hoje é dia de celebrar a vida. Celebrar meus vinte e sete anos de idade, celebrar as novas perspectivas, os novos cursos, as novas projeções. Celebrar a saúde, a busca eterna da paciência, novos horizontes.
Não pretendo ser utópica, nem sonhadora demais. Meu objetivo aqui é pura e simplesmente fazer lembrar o quanto a sociedade precisa evoluir. Escrevo para externar o meu desejo de que no próximo ano, eu possa desenvolver o senso de humanidade através de ações concretas no meu cotidiano.
Espero porque desejo sim, tenho esperança sim, de viver tempos melhores. Desejo nesse ano eleitoral que os cidadãos brasileiros façam escolhas sensatas no dia do pleito. Que os próximos governantes enxerguem o caos social de nosso país e realizem mudanças efetivas e positivas para toda a sociedade.
Desejo que essa sociedade desenvolva junto comigo esse senso de humanidade. Que todos possamos compreender que “Todos somos um”. Que as nossas ações refletem em todo o universo planetário.
Peço licença ao Jorge Vercillo para propagar suas palavras:
“Quando a noite aparecer
lembra que somos um com você
Quando a noite aparecer
lembra, todos nós somos um”
Meu desejo é que as diferenças sejam respeitadas, que as diferentes culturas, diferentes identidades sexuais, diferentes cores, diferentes raças, diferentes escolhas, diferentes opções sejam respeitadas pelo todo. Resumindo: que as pessoas aprendam o significado da palavra RESPEITO, tão bonita, mas tão pouco posta em prática.
No dia de hoje, se eu tenho um desejo é que o dito ser humano se humanize, reaprenda a viver em comunidades (reais e, não, virtuais) a ter um espírito comunitário. Que haja evolução e não IN-volução.
Que deixemos de ser primitivos, como erroneamente, em minha opinião, foram designados os nossos ancestrais. Porque o homem do século XXI, este sim, pode ser chamado de primitivo.
Que o espírito de coletividade possa fazer parte das nossas vidas. Que possamos seguir, independentemente de religião, o legado deixado a nós pelo Mestre Jesus, exemplo de total desprendimento material, amor, humildade. Que reflitamos na Oração de São Francisco e possamos compreender mais do que sermos compreendido. Que façamos a paz sem pegar em armas, como nos ensinou Ghandi: “a única revolução possível é dentro de nós mesmos”.
Que daqui a um tempo, possamos ler ou ouvir “Perfeição” e ter a certeza de tratar-se de algo relativo ao passado. Que não reconheçamos nenhuma das mazelas, queixas, críticas e indignações do poeta. Mas que ela seja a ponte para a nossa revolução interior.
Que eu possa celebrar hoje e em todos os dias da minha vida, a paz e o amor.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Ao nascer do dia
Na agitação cotidiana, relaxar, meditar, respirar lentamente, sentindo cada movimento tem sido algo muito difícil. Mas não, impossível. Vez ou outra, me pego conseguindo meditar. É preciso tentar. Sempre.
Depois de alguns dias imersos no mundo real, a inspiração vem. Acordo em meio ao canto dos pássaros, observando pelas frestas das persianas, a noite transformando-se em dia. Uma manhã fria de quinta-feira. Quase oito horas muito bem dormidas e ininterruptas. Maravilha. Meus felinos aqueciam o meu pé, porque a manta, o cobertor e o edredon estavam em todos os lugares, menos, sobre mim. Com meus pés quentes, eu consigo dormir e esquecer a sensação térmica do frio em meu corpo.
Relembrei do meu final de semana especial. Estar reunido com amigos é sempre muito bom. Amigos fiéis, de verdade, carne e osso, aqueles da alegria, mas principalmente, da tristeza. Pois as circunstâncias da vida permitiram que eu estivesse ao lado de pessoas especiais e que considero muito: minhas amigas de pré-vestibular. Sempre que temos tempo, arrumamos uma brecha em meio ao caos e nos vemos. Mas o fim de semana foi especial. Porque foi uma quase-noite do pijama, quando as menininhas se reúnem Para trocar figurinhas, separam seus pijamas, novidades, assuntos e vão dormir na casa de uma delas. Coisa de menininha, que a gente vê nos filmes. Pois foi exatamente assim que aconteceu. Sai na sexta chuvosa do trabalho, encontrei a primeira, buscamos a segunda e nos dirigimos para a casa da anfitriã, que nos esperava com alegria. Não havia planos, deixaríamos o barco nos levar... À nossa disposição: filmes, livros, pipoca e principalmente, amizade. Relembramos o passado, rimos das histórias engraçadas do pré-vestibular, fizemos uma sessão nostalgia muito bacana, tudo assim, fluindo, sem planejamento, deixando acontecer, acontecendo. O que seria uma noite, virou um final de semana cheio de partilhas, conversas francas e sinceras, surpresas, alegria. Lembrei do “Juventude”, de Domingos de Oliveira e pensei que mais tarde, daqui a muitos anos, espero repetir esse encontro, espero estar perto das minhas amigas especiais e voltar a ser criança. Isso sim, é viver.
Pra não esquecer, um trecho do Caio Fernando.
“Mas era um homem recém-nascido quando voltou-se devagar, num giro de cento e oitenta graus sobre os próprios pés, para deslizar as costas pela sacada até ficar de joelhos sobre os ladrilhos escuros, as mãos postas sobre o sexo.
Abriu os dedos. Absolutamente calmo, absolutamente claro, absolutamente só enquanto considerava atento, observando os canteiros de cimento: será possível plantar morangos aqui? Ou se não aqui, procurar algum lugar em outro lugar? Frescos morangos vivos vermelhos.
Achava que sim.
Que sim.
Sim.”
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Alumbramentos & Perspectivas (Peço licença poética a Edson Nery "Bandeiriano"da Silva)
“Inspiração: o mesmo que iluminação, alumbramento, sopro, impulso, estusiasmo, estímulo. Substantivo feminino, ato ou efeito de inspirar (entrada de ar nos pulmões); No sentido figurado: espécie de alento, sopro criador que, emanado de um ser sobrenatural, levaria aos homens conselhos, sugestões; iluminação, revelação. Ideia surgida ou resolução tomada súbita e espontaneamente.”
A última frase do conceito “inspiração” define exatamente o contexto em que surgiu esse diário. De súbito, fui tomada pela vontade de traduzir meus pensamentos num espaço (ainda que virtual) a ser compartilhado. Plantei a sementinha e espero colher bons frutos. Movimento é o meu desafio atual.
Movimento, transformação, mudança, o ato de mover-se, transformar a vida, as coisas, as pessoas. É isso que eu desejo. Para isso, estou aberta a todas às inspirações emanadas por Deus, pelos espíritos iluminados, pelos homens e mulheres de boa vontade que deixaram e deixam sua parcela de contribuição para um mundo melhor. Também quero deixar a minha e pretendo partilhar da minha vida, trocar experiências, dividir, aprender e apreender a cada dia, nos lugares por onde eu passar, ao cruzar com meus pares, a cada passo em meu caminhar.
Encontramos o movimento na música, na poesia, na física, na vida e até mesmo na abstração. Estou aberta a todos esses movimentos, presentes na arte, na ciência, no criador e na criatura. É preciso lançar-se no abismo. Como diria Tatiana Rosa, uma poeta muito querida, encontrar-se no “Poço com fundo”. Fundo que vivemos a procurar e que provavelmente se encontra dentro de nós mesmos.