
Resolvi quebrar jejum. Deixei de lado os textos que escrevi e os que comecei e não terminei. Começo esse post em uma terça-feira de verão, num Rio 40 graus, sem perder o foco e a esperança.
Muita coisa se passou desde que estive aqui pela última vez. Mas sou fiel ao blog, desde que se crie o movimento e a inspiração, necessários a todos os meus escritos.
Acordei com meus gatos fazendo uma zorra danada, que só terminou, quando eu levantei da cama, de fato. Estendi a roupa no varal, pensei mil vezes, se caminharia agora, pela manhã, ou a noite. Continuei indecisa. Me estendi sobre a confortável cama, que está do jeito que eu sempre quis, repleta de travesseiros. As palavras vieram.
Eu dormi pouco, estou cansada. Pensei. Mas elas não podem mais esperar. Acabo de salvar esse texto e descubro que há um ano, eu escrevi um texto aqui.
Treze de março. Treze dizem ser um número de sorte, vai que é. Mercúrio está em movimento retrógrado, li ontem. Até o dia 4 de abril é tempo de pensar, repensar, corrigir, refazer, recomeçar.
Para mim, isso significa a luta de quebrar os velhos padrões mentais e de comportamento, significa tentar mais uma vez. É a oportunidade vinda do céu.
Um dos primeiros pensamentos que me vieram a mente foi que as pessoas que mais nos maltratam são aquelas que amamos. E que afirmam nos amar e se preocupar com a gente.
Muita coisa se passou nesse tempo todo que estive afastada. Aos poucos, vou escrevendo depois. Nesse momento, estou preocupada em resolver as minhas questões afetivas. Me sinto perdida e sem rumo. Sinto-me só, numa ilha deserta. Mas também sinto que fui eu quem se dirigiu até a ilha.
Há algum tempo, comecei a romper com todas as barreiras impostas e fazer da minha vida, algo mais prazeroso, completo, desbravador. Quebrei paradigmas. Trabalhei pesado em loja, para sentir como é a vida, atrás de um balcão. Lidei diretamente, cara a cara, com o público, ou melhor, com os consumidores, alguns deles cidadãos, outros, não. Isso me lembra Nestor Garcia Canclini. Senti na pele, a briga pelo quem vende mais, vi clientes solícitos, outros, grosseiros. Vi pessoas humildes, vi pessoas abastadas. Vi a ganância das colegas, preocupadas com as vendas dos outros, esquecendo-se das suas. Vi patrão duro, avarento, sem espírito natalino. Vi gerente também. Em menor, escala, mas vi.
Caí de paraquedas no meu novo emprego. Achei uma loucura, mas sim, eu que estava insatisfeita com o salário do último emprego, resolvi trabalhar por menos da metade. Mas eu estou bem perto da minha área de formação e nesse momento, isso é o que me importa. Deus provê, Deus proverá. Sua misericórdia não faltará.
Já vendo quebrando os padrões há um tempo. Fui demitida pelo meu próprio pai e me decepcionei mais uma vez. Fui alvo de preconceito, da não aceitação. Por outro lado, conheci o preço de ser diferente. Fiz a minha primeira tatuagem, beijei e abracei a minha avó, mesmo estando tatuada, coisa que ela detesta, amei e odiei minha mãe, minha irmã, meu pai, meu irmão. Amei mais os felinos. Encontrei meu porto-seguro numa menina-mulher de jovens vinte e três anos.
A cada dia, aceito a minha condição de amar outra mulher. De amar alguém do mesmo sexo que eu. Aceito até escrever isso publicamente, sem grilo, sem preocupações sobre o que os outros vão pensar. Me sinto livre, embora muitas algemas queiram me prender.
Perdi meu melhor amigo para o novo namorado dele. É a única explicação que encontrei, pois sempre nos entendemos do nosso jeito, com nossas limitações, apoiando um ao outro, na alegria e na tristeza e de um dia para outro, tudo se perdeu. Dois meses depois, mesmo que eu queira, caso um dia voltemos a nos falar, as coisas não serão mais as mesmas.
Tudo o que eu queria dizer é que o importante, de fato, e clichê, é viver um dia de cada vez. É tornar os momentos inesquecíveis. É sentir-se livre, para se fazer o que quiser. Para experimentar o novo. É estar aberto para o que vier, aceitando, sem resignação, mas com boa vontade, tudo o que vier. É acreditar em Deus, no cosmo, no tempo que cura, ter a fé nos santos e nos orixás, é se entregar por inteiro à espiritualidade.
De tudo o que se passou, de 2011 até esse março de 2012, essas são as minhas certezas absolutas, pois em meio a um mar de dúvidas, é tudo isso que me sustenta. A minha certeza é não ter certeza de nada. A minha meta é alcançar a perfeição pelo bem.
Já disse muitas vezes que todos somos um. E apesar do individualismo desenfreado e do egoísmo do ser humano, continuo pensando assim. Estou fazendo a parte que me cabe. Assim, há dois milênios e pouco, o mestre Jesus, ensinou àqueles seus seguidores. Estou plantando para colher. Estou longe da perfeição. Mas estou tentando. Erros e acertos, assim eu vou crescendo.