quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O que eu também não entendo (Peço licença)

"Essa não é mais uma carta de amor

São pensamentos soltos

Traduzidos em palavras

Pra que você possa entender

O que eu também não entendo...

Amar não é ter que ter

Sempre certeza

É aceitar que ninguém

É perfeito prá ninguém

É poder ser você mesmo

E não precisar fingir

É tentar esquecer

E não conseguir fugir, fugir...


Quando penso em alguém

É por você que fecho os olhos

Sei que nunca fui perfeita

Mas com você eu posso ser

Até eu mesmo

Que você vai entender...

Posso brincar de descobrir

Desenho em nuvens

Posso contar meus pesadelos

E até minhas coisas fúteis

Posso tirar a tua roupa

Posso fazer o que eu quiser

Posso perder o juízo

Mas com você

Eu tô tranquila, tranquila...

Agora o que vamos fazer

Eu também não sei

Afinal, será que amar

É mesmo tudo?

Se isso não é amor

O que mais pode ser?

Tô aprendendo também..."

Essa saudade que eu sinto


“O meu amor me deixou,

Levou minha identidade.

Não sei mais nem onde estou,

Nem onde é a realidade.”

(Adriana Calcanhoto)

Conflitos existenciais, dramas pessoais, pranto, riso, desespero. Cheguei atrasada, havia outro em meu lugar. Aguardei minha sessão com paciência. Tenho melhorado nesse quesito. Ou procurado fazer isso. Relacionamentos amorosos dão o tom de grande parte das conversas. Escuta com calma, não interfere, apenas observa, vez ou outra, faz apontamentos. Ele também tem problemas. Ele também é um ser humano como todos nós. Ele não é o super homem, como eu supunha. O fato de ajudar as pessoas a compreenderem a si mesmas, não o torna diferente de nenhuma delas. Ele também senta-se ao divã. Como todos nós, pobres mortais. E sofre por amor.

Eu estou cansada de sofrer por amor. O amor não é sofrimento. Não suporto mais essa dor, essa espera, esse desejo de reciprocidade. Continuo a repetir os velhos padrões de comportamento. Por quê tem que ser assim? Por que não pode ser mais simples? Por que é tão complicado?

Cadê esse tempo que não quer curar? Ou sou eu, que não quero me curar?

Coração aos pulos, espera ansiosa pela chamada que não vem.

Só de pensar, perco o sono. É o mesmo sentimento dos primeiros dias...aquele sentimento vibrando dentro em mim. Está quente, estou quente. Fiquei quente.

“E é só você quem tem a cura pro meu vicio de insistir nessa saudade que eu sinto".

Sim, eu sinto sua falta. É foda admitir isso. Mas eu sinto. É foda porque eu não sei se você também sente.

Existem outros amores? Ou novos jogos amorosos no páreo?

Eu não quero outro alguém. Eu quero ter você comigo. Quero dividir, crescer, partilhar, construir. Cadê o sentimento que nos unia? É o tempo né? O momento talvez não seja esse.

Acho que ele passou. Já foi. Mas eu queria mais. Essa é a minha única certeza hoje.

Noite passada sonhei com uma lacraia. Sempre que sonho com este artrópode peçonhento não é um bom sinal. Das outras vezes, fui traída, enganada, por pessoas em quem confiava.

Que seja apenas um sonho. Vou esquecer isso e mentalizar coisas boas.

Esse texto está péssimo. Meu estado de espírito também.

Mas vai melhorar. Vai sim. Ele diz que sim. No fim, tudo vai dar certo. Vou tentar dormir acreditando nisso, mais uma vez, mais uma noite. Amanhã será um novo dia.


Image: MC Escher

sábado, 22 de janeiro de 2011

Aceita um chá? ( Ou: Eu, labirinto.)


Acordei como de costume, exceto pelo cansaço maior da festa de formatura da noite anterior. Eu desejei muitas coisas, mas talvez esse fosse algo mais complexo de se conseguir.

O dia correu, tive meus pensamentos existenciais, como de costume, ouvi Renato no carro, visitei meu melhor amigo, brinquei com todos os animais a minha volta, estava feliz.

Mas o desejo permanecia. Quando a gente ama, quer ficar perto. É teimoso demais. Não consegue separar razão de emoção. Parece que permanecemos na vã e infantil ilusão, aquela de sempre, que nos aprisiona, que nos impede de ver beleza em outrem. A beleza de quem a gente ama é o bastante.

Parece que as pessoas perderam o sal ou fui eu quem perdi? O sal, aquele temperinho que faz toda a diferença ao final do processo de manufatura daquela comidinha que você tanto gosta.

E o desejo a permanecer. Cedo ou cedo? Resolvo ligar. Ah sim, meu desejo: arrastar o ser amado para uma noite inesquecível, desprovida de problemas ou amargores, repleta de luz, música para dançar, num ambiente com nossos pares, dissolver os problemas como pó no ar, mesmo apenas, que por algum tempo. Obtive um sim, meio incerto, talvez duvidoso. O sim de quem não quer se entregar, assim, meio de lado.

Me arrependo e decido voltar atrás. Por que insistimos em forçar a barra? O universo encarregou-se de promover essa separação. Ou fomos nós que nos separamos de nós mesmos? Não entendo esse sentimento que me domina, que me faz ter vontade de ficar perto, de tentar outra vez, que nem na canção do Raul Seixas.

Mas agora o convite está posto. Eu recebi um sim. Não posso voltar atrás. Ela ficou tão animada. Ela resolver sair da toca. Ela topou.

Quando um não quer, dois não brigam, já dizia o dito popular, que alguém sempre me faz lembrar. Vambora.

Coração acelerado, espera ansiosa, surpresas por vir. Minha, mas também tua.

Agora a turma está completa. Amigos queridos por perto, a noite promete. Em cima dos saltos, nossos pezinhos balançam, rodopiam ao som da música que toca. Eu estou completamente sóbria, atenta a todos os movimentos.

Te ver dançar é algo sublime. Meu desejo realizou. Verbo intransitivo? Acho que não, mas quero que seja sim. Dançou. Realizou. Te ver feliz me deixa feliz. Te ver sorrir me faz sorrir. Ah! Lá vem o amor a nos dilacerar de novo?

Não, sem dramas. Somos adultas. O diálogo norteou esse encontro. Ele só foi possível graças a nossa cumplicidade, amizade, compreensão mútua. Agora estamos aqui, sós, embora cercadas por tudo e todos que nos rodeiam. É tão bom sentir isso. É tão bom beijar você. É tão bom ser beijada por você.

Olho. Não acredito no que vejo. Será um sonho? Ou apenas um fragmento da realidade que eu gostaria de viver? Não sei. Sei apenas que estou tranqüila. Que estou bem, obrigada. Ao menos, não foi um pesadelo. Mas um sonho lindo.

A Alice nos faz dançar. Seu chá nos entorpeceu. Quantas portas teremos que abrir e fechar? Em qual porta entrar? Onde nos perdemos? Por que esse labirinto nos une?

Não sei.

- Só sei que nada sei. – respondeu-me Platão.

É, talvez seja isso. Talvez não saibamos de nada. Vamos deixar o rio correr, as águas, a nos levarem em seu curso. E seus recursos hídricos? Isso te lembra alguma coisa?

Espero que sim. De tudo de bom e de ruim que já passou. E do tudo maravilhoso que está por vir. A vida é linda. Não vamos nos magoar. É tempo de crescer. Quero ser feliz demais. Você vem comigo?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Amor pra recomeçar

A melhor coisa do mundo é amar e ser amado. Ser correspondido. De verdade, passo a passo, amor crescente, que bate no peito e traz vida nova. Amor que renova.
Amor puro, de tomar sorvete junto no verão, de passear na beira da praia, de mãos dadas, de sentir a presença, a compreensão, o carinho, a reverberar.
Vontade de ficar perto, de descobrir as coisas juntos, de olhar para o outro e admirar, de se sentir percebido pelo outro, aconchegado, enfim, amado.
De conversar horas a fio, como se apenas alguns minutos tivessem passado.
O amor me faz recuperar a vontade de viver. Me faz ter a certeza de que nem tudo está perdido.
De ter certeza de que o sentimento crescente em meu peito não me faz sofrer e isso é lindo.
É tempo de libertação das algemas do passado.
É tempo de amar.
É o tempo do amor.
Ontem a tarde, ouvi numa palestra que "o amor é um artigo de luxo" e como deve viver em profunda tristeza, aquele que não tem amor...
Palavras que levam a reflexão.
Hoje, eu estou feliz porque encontrei o meu amor.
Hoje, eu estou feliz porque o amor não veio me dilacerar.
Hoje, eu estou feliz porque em minha vida há luz.
Luz que irradia o meu ser e faz crer que a vida vale a pena, só por causa do amor.
Hoje, eu brindo ao amor.
Ao que chegou, ocupando o vazio que havia em meu peito.
Que veio devagarinho, mas se instalou por inteiro dentro em mim.
E eu, nele.

Sim. Isso é real. Sim, eu digo sim. Eu não quero mais o não.

Uma singela homenagem a quem inundou o meu ser e me faz crer, a cada dia desse tempo que passa, o quanto Deus é maravilhoso e opera milagres em nossas vidas.
"Tudo pode ser. Só basta acreditar. Tudo que tiver de ser, será."

Eu estou pensando em você.
Pensando em nunca mais
Pensar em te esquecer
Pois quando penso em você
É quando não me sinto só
Com minhas letras e canções
Com o perfume das manhãs
Com a chuva dos verões
Com o desenho das maçãs
E com você me sinto bem

Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer
Eu estou pensando em você
Pensando em nunca mais
Te esquecer.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Reflexão da noite e do dia de hoje:

"A compaixão e o amor causam uma sensação de intimidade, mas na realidade são uma forma de apego. Enquanto a outra pessoa lhe parece bonita ou boa, o amor persiste. Tão logo, porém, a pessoa deixa de parecer tão bonita ou boa, o seu amor transforma-se completamente."

Essa madrugada foi de muita reflexão. Dormi cedo, 1h30, mas fiquei em reflexão.
Hoje, arrumando meu armário, achei uma bolsa antiga, com um livro dentro. Nada por acaso.
Presente de uma amiga, para carregar sempre comigo. Troquei de bolsa, levei tudo, exceto o livro.
Achei hoje. Foi um reencontro. Com ele e comigo mesma.
São as sábias palavras de Dalai Lama. Minhas saudações, Sr. Dalai Lama.
Obrigada por partilhar sua imensa sabedoria conosco.

(Lama, Dalai. Sua santidade, o Dalai Lama. Ed. Sextante, 2001.)

Eu não sou poeta. Mas aprendi a amar.

Feliz ano novo!

Feliz vida nova!

Feliz 2011!

O ano promete! Minha esperança é de que o ano seja melhor do que todos os outros, que as promessas sejam renovadas. Que tenhamos um Rio cheio de paz e amor em todos os lados e lugares, nessa cidade partida.

Sim, sejamos um. Diga mais sim do que não. Seja você, apenas você. Viva intensamente e aproveite cada minuto, cada segundo. A vida é linda e preciosa. Não perca tempo com quem não vale a pena. Construa castelos sólidos, de pedras.

Vamos ver o sol nascer, vamos tomar banho de lua. Vamos ter tempo para apreciar as coisas boas e que realmente merecem nossa atenção. Ano passado, na primeira semana no ano, eu comecei esse movimento. Sai com um casal de amigos, tomamos um bom vinho e depois fomos até a praia de Ipanema. Conversa vai, conversa vem, uma noite linda de verão, brisa na beira do mar, água quentinha. Tirei minha roupa as 4 da manhã e tomei um belo banho de mar. O primeiro de 2010.

Pude sentir as boas vibrações e, começar o ano, cheia de energia. No meu processo de autocura dos males que atormentavam.

Hora de deixar para trás os velhos hábitos. Ter mais sensatez, aprender com os erros do passado, procurar ser mais, refletir, pensar dez vezes antes de falar besteira, ouvir mais, enfim, seguir os ensinamentos. Ah, e sim, positivar mais. Positivar sempre. Pensamento é tudo.

-----

Na ultima semana do ano, eu fiz coisas bacanas. Trabalhei muito, encarei a avenida Brasil com engarrafamento umas três vezes e sobrevivi, sem surtos, dentro do carro.

Estive no Arpoador, de madrugada e foi lindo demais ver a lua crescente, reinando absoluta no céu, avermelhada. Vaguei na lua deserta, nas pedras do Arpoador, como descreveu o Cazuza.

Lembrei de coisas boas e de coisas ruins, também. Refleti. Saudei Gaia por estar ali e fui incompreendida. Sim, eu agradeci à Mãe Terra por me deixar contemplar tamanha grandiosidade. Por me deixar ser parte de toda energia que emanava dali. Que emana dali e só quem vive, pode sentir.

Revi pessoas especiais, que iluminam meu ser, minha vida. Conversei horas a fio sobre livros e personagens fantásticos. Dormi e perdi a hora de tão cansada que estava. Afinal, sou humana. Aliás, isso aconteceu umas três ou quatro vezes, nos últimos dias.

Contemplei meu pai e minha mãe. Exercitei o profundo amor que tenho por eles. Chorei de tristeza quando me senti maltradada por quem amo.

Sorri de alegria, ao ver o sorriso de uma criança. Ri, com a gargalhada do fotógrafo, na redação. Ouvi Renato Russo em efusão.

Fui ao lançamento de um livro e ouvi musica clássica, ao vivo, ao piano. Emocione-me com Villa-Lobos, Mozart e Chopin. Tomei uma taça de prosecco, durante o trabalho.

Também morri de rir e de chorar com uma amiga, ao telefone, numa chamada de mais de uma hora de duração. No engarrafamento, comi tradicionais biscoitos “Globo”. Também me deliciei com água mineral com gás. A-do-ro! Isso tudo é viver. São as pequenas coisas que fazem a vida da gente.

---

Hoje me disseram que eu não faço poesia. Posso até não fazer atualmente, mas no passado, já fiz. Obviamente, que pelo processo da dor de amor. Tudo bem. Eu realmente não faço poesia. Eu escrevo prosa. Mas eu vivo a poesia. Eu a sinto. Eu a devoro.

Amo versos, estrofes e afins. Amo Alberto Caeiro, Vinicius de Moraes, Paulo Leminski, Alice Ruiz, Adélia Prado, Cazuza, Mário Quintana (Salve, Quintana!), Carlos Drummond de Andrade, Marcelo Camelo, Aldir Blanc, Gonzaguinha, Cartola, Noel Rosa, Tatiana Rosa, Nando Reis e muitos outros poetas brilhantes que não lembro neste momento, mas a quem saúdo desde sempre e servem-me de inspiração.

No primeiro dia do ano, varei madrugada adentro lendo textos dos meus autores favoritos. Tomei uma única taça de Veuve-Cliquot, comi um pavê delicioso que fiz. Modéstia, a parte, ficou muito bom. Acordei ao meio-dia. Assisti, emocionada, à primeira mulher ocupar o cargo político máximo, na história do Brasil, a presidência da república, a querida presidenta Dilma Roussef. Vi o Lula deixando o poder, emocionado. Vi Brasília pela televisão e desejei estar lá outra vez. Lembrei da viagem que fiz em 2008, com meu melhor amigo. Foi lindo demais.

Também conversei com meu primo mais que querido por horas a fio, sem me preocupar com o tempo cronológico. Foi bom demais. Aproveito a oportunidade para dizer que te amo. Esperei com saudade por alguém que está longe, mas logo vai voltar e alegrar meu coração. Pude, ao menos, amenizar a dor da saudade, ouvindo sua voz ao telefone.

Me iludi, me enganei, fui traída pela emoção que falou mais alto. Me encantei novamente com algo que não deveria. Ainda bem que querer não é poder.

Já que não sou poeta, deixo aqui, versos que impregnam minh’alma.

sossegue coração

ainda não é agora

a confusão prossegue

sonhos afora

calma calma

logo mais a gente goza

perto do osso

a carne é mais gostosa

PAULO LEMINSKI