quinta-feira, 29 de maio de 2014

Amor que nunca morre



Já não vou mais ver o teu sorriso na varanda e a tua empolgação toda vez que eu sair a trabalhar numa manhã de quinta-feira. É ciclo que se encerra.

Não verei mais teus olhos de compaixão cada vez que sair pelas portas da fortaleza da 18, a se preocupar com meu dia, com meu futuro, com a tua filha.

Cresci, tenho convicção. Mas para você, permaneço menina. Enquanto te contemplo, percebo que talvez essa cena não vá mais se repetir e não vou ouvir seu chamado na varanda, só para reiterar a despedida, feita ainda em casa pouco antes de sair, após o café.

Não vou esquecer esses teus lindos olhos de amor, guardados agora para sempre, em minha memória.

No caminho até o ônibus, encontro um deficiente visual e penso que ele não verá, nem contemplará através da visão, a despedida de seus filhos.Um momento repleto de emoção e de significados. Esse que você acabou de experimentar.

E sou imbuída dos melhores sentimentos de gratidão pelos nossos sentidos, todos eles em perfeito funcionamento. E sim, agradeço pela minha e pela tua oportunidade de enxergar com os olhos, janela da alma, enquanto muitos não podem ver.

Mais uma vez, vem o universo e mostra que reclamamos demais. Nunca estamos satisfeitos o suficiente. Perdemos tempo com futilidades. Não encontrei o cego homem por acaso.

Plena convicção do amor

“I see you” – Lembrei do filme “Avatar” – Quando o termo em inglês “see” (na tradução livre: ver, enxergar, olhar) é empregado no sentido de perceber o outro, de olhar o outro de forma densa, através da alma. Isso é tão lindo.

E eu te vejo, mãe. E te percebo. Do mesmo modo, você faz o mesmo. Você me enxerga além do olhar, atinge a minha alma.

Aquela quinta-feira em que me despedi de você, trouxe a certeza de que momentos singulares não voltam. Que frações de segundo alteram o resultado final. Que nada mais será do mesmo modo. Parecido, talvez. Semelhante, nunca.

Você já não me virá sair desse edifício com frequência. Eu já percebi que está doendo, sensível que você é. Afinal, somos grandes parceiras.

Mas estarei aqui sempre, meu amor primeiro, minha vida. Quase totalmente desprovida de preconceitos e amarras que não permitem o equilíbrio familiar, sou grata, minha querida, por ter você plenamente comigo, lutando por mim, defendendo e até me surpreendendo.
Não haverá mais despedidas antes do trabalho, nem o seu café mineiro todas a manhãs. Mas vai sobrar amor. Em forma de beijos e abraços apertados quando eu te reencontrar. Através das ligações diárias e muitas, que vamos fazer mutuamente.

Te amo desde o ventre. Ontem, hoje e amanhã. Te amo após o desligamento da matéria. Sabemos que nada acaba com a morte. Apenas é o começo de tudo. Quando não estivermos mais juntas, fica a certeza do reencontro após o desencarne. Você não tem noção do quando isso me consola.

Te amo, filha de Alzirinha.

Recomeçar II

Há alguns dias me esquivo das palavras. Como já aconteceu anteriormente neste espaço, venho retornar após um longo jejum. Vivi muito e intensamente os últimos meses e o aprendizado foi enorme.

Despi-me de conceitos, convicções, modelos de vida, certezas absolutas.

Finalmente chega o momento da definitiva e tão adiada mudança.Ou seja, a hora é agora, o tempo urge, o céu já deu todos os sinais possíveis e os planetas “gritam” por uma quebra definitiva de padrões. Marte retrógado até os últimos dias, inicia novo movimento e dá um plus nos caminhos que se abrem.Hoje, eu tenho um amor porto-seguro. Isso me dá mais liberdade e fortaleza para seguir em frente. A maturidade, a chegada iminente dos “trinta”, com o retorno de Saturno, trouxe transformação radicais à esta pessoa e à esta mulher que vos escreve.

Hoje eu sou outra, hoje eu sou mais. Devo muito à minha noiva, grande incentivadora em todos os momentos. Devo muito as terapias faltadas ou não, ao abandono dos remédios da depressão por falta de grana.Mesmo longe, continuei minha busca pela autoconhecimento e  me vi mais lúcida. Não fiz o certo, mas entre pagar as contas e dormir melhor, optei por largar de mão a medicação -reduzindo orçamento -  (não siga meu exemplo, caro leitor) e honrar minhas despesas básicas, como o aluguel.

Hoje me sinto mais forte, sem remédios, sem abandonar jamais meu médico, orientador e mentor. Um grande cara, aliás. Estudamos uma nova forma de tratar a alma.

Não intento aqui, tornar esse texto pesado. Mas pretendo voltar com o pé direito. Estou sem trabalho, então vai ser bom para mim voltar a regar o “Movimento e Inspiração".


Eu optei pelo amor em todas as esferas da minha vida. Depois de alguns baques, eu percebi que afeto, amor, amizade são coisas que não têm preço. Tem valor porque são dignas de serem conquistadas. E hoje elas têm muito mais valor do que antes.

Abaixo as aflições e as noites sem dormir por preocupações reais, mas vãs. A vida é muito mais simples do que se supõe. É uma pena que eu tenha aprendido isso pela dor - porque nós, humanos, quase sempre escolhemos o caminho mais difícil. Tudo que eu preciso hoje para seguir em frente depende muito menos do dinheiro como dependeu um dia. Eu tenho trinta anos e agradeço ao universo por me permitir constatar isso agora, enquanto estou nova. 

Não vou precisar bater cabeça por décadas para constatar – já na melhor idade - os verdadeiros valores da vida. Tempo urge.

Volto aqui cheia de esperança, por vezes poética, trazendo minhas impressões pessoais sobre a vida.

Quem venham mais.