"Os homens precisam da ilusão do amor da mesma forma que precisam da ilusão de Deus. Da ilusão do amor para não afundarem no poço horrível da solidão absoluta; da ilusão de Deus, para não se perderem no caos da desordem sem nexo." (C.F.A.)
domingo, 27 de março de 2011
O amor é um estado de espírito
sábado, 26 de março de 2011
Mais uma vez
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
quinta-feira, 24 de março de 2011

1. Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e dos anjos, se não tivesse amor, seria como sino ruidoso ou como címbalo estridente.
2. Ainda que tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência; ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse amor, nada seria.
3. Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse amor, nada disso me adiantaria.
4. O amor é paciente, o amor é prestativo; não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho.
5. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor.
6. Não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.
7. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Carta de São Paulo aos Coríntios
segunda-feira, 21 de março de 2011
À flor da pele

Coração disparado. O título do premiado livro da Adélia Prado pode bem definir como anda meu órgão vital nos últimos dias. Emocional virado de cabeça para baixo, consciência da necessidade de mudança, da necessidade de fazer acontecer. Isso tem me norteado o caminho.
Meus problemas são mínimos perto das dificuldades enfrentadas por nossos irmãos japoneses. Meu desejo é que o sol volte a nascer iluminado no país do sol nascente. Desejo que o sol representado na flâmula oficial aqueça os corações de cada habitante daquela terra. Há perdas irreparáveis mas confio que o universo se encarrega nesse momento de acalentar as almas e corações.
A tsunami que arrasou o Japão também passou em minha vida na última semana. Sem dramas porque não os admiro, muito menos depressão,mas foi como se um rolo compressor tivesse passado por cima de mim. Veio de mansinho, arrasou e agora acalmou. Graças a Deus.
Não quero aqui esmorecer, nem reclamar, nem me sentir a vítima. Todo mundo passa por problemas. Eu também tenho os meus. Mas em menos de cinco dias tanta coisa aconteceu, tanta informação, que se traduziu em noites insones, sono descontrolado, coração acelerado.
Perdas afetivas que doeram muito, ver meu cachorro a beira da morte, por envenenamento, passar por uma cirurgia necessária, mas inesperada. Mais tempo em casa, mais reflexão, mais pensamentos. Nossa, quanta coisa em tão pouco tempo!
Sol entrando em Áries, Super Moon, início no ano novo astrológico...As evoluções e revoluções astrais estão em trânsito. Tive que ‘fugir’ do molho (psiu, segredo! RS) e fui até Ipanema saudar os bons ventos que chegavam na madrugada passada. Há mais ou menos 24 horas, estava saudando Gaia, energizando à luz da lua, pés na areia meditando ao som das ondas do mar. O satélite natural estava, de fato, belíssimo. Um pouco mais perto, um pouco mais nítido do que o habitual. Aproveito para agradecer a minha companheira especial nessa noite de bons ventos, por todo carinho, amizade e dedicação. Você me inspira.
“Odoiá, Iemanjá”, sob sua benção quero estar. Me abençoa, Mãezinha, me traz a tua força e a tua vitalidade. Me traz a tua beleza e o teu encanto. Me ajuda a mergulhar força dos orixás, a me encantar nessas águas que vou percorrer. Que Iansã seja um espelho de força, de vitória e de sustento na minha vida.
Nesse momento dorme a casa, dormem seus habitantes, humanos e felinos, eu durmo também...mas acho que só daqui a pouco. O silencio me acalanta, o som do vento batendo nas árvores me acalma. O cheiro de mato me faz lembrar da paz dos dias na roça. Banho e curativos. Camomila pra acalmar, alfazema para tranqüilizar, incenso de canela para aconchegar.
Me despeço nas melhores vibrações de paz, amor e luz. A esperança permanece. Ela me faz sentir viva. Desistir, jamais.
quinta-feira, 17 de março de 2011
Sobre o amor

“O amor é uma puta”. A frase me chocou. Queria entender porque dois amigos estavam insistindo em falar isso. Não cheguei a perguntar o porquê de estarem falando isso ou o qual o significado. Apenas ouvi e guardei.
Mas a frase não me saiu da cabeça. Uma palavra tão doce como “amor”, ao lado de outra, tão dura, “puta”. Recorri ao dicionário. Porque “puta” é uma palavra recorrente, sabemos o seu significado, mas eu queria me certificar linguisticamente sobre isso. Geralmente associada à prostituição, segundo Houaiss, seu significado é indivíduo devasso, sacana; mau caráter.
Então o amor é mau caráter? Meus amigos sofreram desilusões amorosas e então chegaram à conclusão de que o amor é uma puta por isso? Não querem mais acreditar no amor? O amor é cruel? O amor entre duas pessoas não existe? Surgiram mil pontos de interrogação.
Nas minhas reflexões, venho tentando compreender tal afirmação. Percebi que em alguns momentos, ao longo da existência, o amor, de fato, é uma puta. Porque é capaz de despertar as melhores sensações, mas também, as piores.
Ele pode ser um sonho e depois virar um pesadelo. Pode ser o motivo de muito riso e depois de muito pranto. Será uma antítese? Será o amor maniqueísta? Na atual conjuntura da minha vida, cheguei à conclusão de que o amor é uma puta. Porque sacana.
Faz um tempo, ganhei de presente de aniversário uma poesia, que me descrevia e um dos versos dizia que “por amor, eu faço qualquer coisa”. E quando amo, eu me lanço e faço qualquer coisa mesmo. Por ser assim, cometi os maiores erros da minha vida e estou pagando por eles. Muitas vezes, nos últimos quatro meses, pós-término de namoro, eu tentei arrancar o sentimento do peito, em vão. Impossível. Eu não sabia que ele era uma puta, mas estava sofrendo demais e não conseguia parar com isso. Não estava percebendo seu mau-caratismo.
E continuei repetindo erros do passado, insistindo num sentimento unilateral. Continuava a me preocupar com a outra pessoa, a querer proporcionar um alento, a amenizar as dores, a fazê-la sorrir em meio ao caos. Me ferrei. Descobri que não sou capaz de fazer isso, que não posso fazer ninguém feliz a menos que esse certo alguém queira ser feliz. Não sou capaz de minimizar a solidão de ninguém.
Imaginava um futuro lindo, cheio de fogos de artifício, repleto de vitórias e voltas por cima. Me ferrei. Acreditava que poderia haver um recomeço num relacionamento futuro e quebrei a cara.
Agora sim, meus amigos, eu consigo compreender a que vocês estavam se referindo. Observando nossas trajetórias, com desilusões amorosas e danças da solidão, o pessimismo tomou conta de nosso ser e hoje, neste momento, as porradas são tão grandes, que não acreditamos mais no amor e afirmamos, aos berros, que o amor é uma puta. Sim, eu agora me junto ao coro de vocês e berro: “o amor é uma puta”. Porque nos trapaceia e arrasa conosco. Porque permite que interpretemos papéis de palhaços, nos teatros da vida.
Mas agora a peça saiu de cartaz. E recuso qualquer tentativa de interpretar o papel de palhaça. Também não quero ser a vilã, muito menos a mocinha. Quero interpretar um papel equilibrado, apto a lidar com as alegrias e tristezas da vida.
Meu movimento já começou. Todos somos um. E o amor vem vindo logo ali, em sua melhor faceta, a da forte afeição por outra pessoa. Lá vem o amor e ele não vai nos dilacerar outra vez.
Image: Across the universe
terça-feira, 15 de março de 2011
Modinha/ Confissões
Não!
Não pode mais meu coração
Viver assim dilacerado
Escravizado a uma ilusão
Que é só desilusão
Ah, não seja a vida sempre assim
Como um luar desesperado
A derramar melancolia em mim
Poesia em mim
Vai, triste canção, sai do meu peito
E semeia a emoção
Que chora dentro do meu coração
(Modinha - Vinicius de Moraes/Antonio Carlos Jobim)
Nesse extremo de emoções que me toma de assalto, alguns sintomas reaparecem. Embora eu esteja fingindo que eles não existem. Eu não os aceito. A cama tem sido a minha melhor amiga. Quanto mais eu durmo, mais eu tenho sono. Outras vezes, a insonia me toma por assalto. A taquicardia me incomoda. Mesmo deitada, quieitinha o coração pula, bum, bum bum.
Quero que essa nuvem negra se dissipe em minha vida. Desejo ardentemente voltar a produzir alguma coisa útil. Coisa que não faço há quase duas semanas. Mas meu coração está dilacerado e eu não sei se é possível produzir alguma coisa nesse estado.
Preciso sair para resolver minha vida, pagar minhas contas, estudar, mas estou abatida. Parece que fui abatida com bolas de borracha por uma arma. Não posso me permitir sentir isso. Eu não mereço sofrer assim por ninguém. Mas é tão fácil falar. Difícil é agir.
Feliz ano novo!

You don't have to feel
Like a wasted space
You're original,
Cannot be replaced
If you only knew
What the future holds
After a hurricane
Comes a rainbow
Maybe a reason why
All the doors are closed
So you could open one that leads
You to the perfect road
Like a lightning bolt,
Your heart will glow
And when it's time, you'll know
You just gotta
Ignite the light
And let it shine
Você não tem que se sentir
como um espaço perdido
Você é original,
não pode ser substituído
Se você soubesse
o que o futuro guarda
Depois de um furacão
vem um arco-íris
Talvez a razão pela qual
todas as portas estejam fechadas
É que você possa abrir uma que te leve
para a estrada perfeita
Como um relâmpago,
seu coração vai brilhar
E quando chegar a hora, você saberá
Você só tem que
acender a luz
E deixá-la brilhar
(Firework - Katy Perry)
Hoje é o segundo dia da minha nova vida. Eu acordei melhor do que ontem, consegui dormir algumas horas seguidas. Isso é muito bom. Acordei com o sol no rosto, havia deixado as janelas abertas para arejar e fazer a energia circular neste quarto.
Curiosamente, ontem, recebi uma mensagem de uma amiga, perguntando como estava começando a primeira semana do ano novo. Não entendi, assim que li. Reli Pensei em como ela estava me perguntando isso em pleno mês de março, se o ano havia começado em janeiro!
Depois compreendi que ela se referia ao fim do carnaval, quando, de fato, o ano parece começar, sem mais postergações, nessa cidade. Então, por sugestão dela, aceitei esses dias como o início do ano novo, de fato.
Acredito também, que não por acaso, ela me escreveu ontem, já que não o faz com freqüência. (Ontem foi o dia que eu mais precisei de conforto nos últimos tempos. Eu precisei de colo. E Deus, em sua infinita misericórdia, me deu colo, através de alguns canais de graça, os amigos.) Respondi sua mensagem e hoje, ao acordar, ela havia escrito para mim novamente. Fiquei surpresa. Aliás, surpresa é a palavra de ordem dos últimos dias. Só tive surpresas. Ela é extremamente sensível e ao me encontrar, segundo ela, na semana passada, percebeu que as coisas não estavam fluindo muito bem, que tinha alguma coisa estranha no ar. Muito discreta, não comentou absolutamente nada comigo e esperou, em sua sabedoria que me traz certa tranqüilidade, porque as coisas se confirmaram. Agora entendo tudo. Ela percebeu que algo estava Para acontecer, antes mesmo que isso acontecesse e sem que eu esperasse, mas ficou quieta e me poupou de quaisquer aflições.
Na carta que escrevi a ela, expliquei que algumas coisas estavam acontecendo, contei sobre os resquícios do passado, sobre as mudanças, mas sobretudo, falei sobre a esperança que existe em meu ser, mesmo que lá no fundinho, de que tudo vai dar certo.
Não quero dramas, nem choros, nem tristezas que durem a vida inteira. Eu quero é ser feliz. De que jeito, eu não sei. Acho que a felicidade vem em gotas. Às vezes, elas jorram com intensidade. Outras, homeopaticamente.
Voltando à minha amiga, o curioso dessa historia toda é que ela não se contentou com a forma como me viu, ela também não estava muito bem. Então, recorreu às cartas. Meu jogo estava apontando mudanças. Mais uma vez mudanças. As cartas foram claras sobre uma nova fase na minha vida e que o rompimento foi necessário. Apontaram também a importância desse relacionamento para minha existência. Muito bom isso. Muito bom saber que ela se importou comigo e sem que eu nem dissesse ou pedisse, ela jogou para mim, porque percebeu a minha angústia. E ela nem imaginava como estava o meu coração ontem.
Agora, o que me resta, é seguir em frente. A vida muda, as pessoas também, sobretudo, a vida continua. Está na hora de agir, está na hora de reagir. O tempo cura, as pessoas vem. As pessoas vão. Feliz ano novo. Feliz vida nova.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Adeus

A astrologia já estava me preparando para o que viria. “Mudanças irreversíveis; hora de deixar para trás os velhos padrões, virginiano”. Parecia uma ladainha, quase todos os dias a mesma coisa. E eu lia e relia as previsões, tentando fazer com que as palavras se tornassem um mantra, tentando fazer com que elas pudessem adentrar em mim, quase que por osmose. Por repetição. Aliteração.
Eu estava esperando o momento que demarcaria definitivamente o fim dessa relação que já havia terminado, mas à qual ainda, eu estava atrelada. Términos são sempre complicados e dolorosos demais para mim. Até que hoje, ele chegou.
Eu já havia me libertado das correntes mais pesadas. Mas restava ainda uma algema, que me prendia apenas a uma das mãos.
Adeus aos nossos filmes, livros, poesia, almoços e jantares, trocas partilhadas. Adeus definitivo ao sonho de sermos mães um dia, de viajarmos para bem longe a explorar mares nunca dantes navegados. Adeus amor sublime, sexo transcendental, colchões ardendo de amor, suor e lágrimas de prazer. Adeus meu amor, porque eu estou indo embora.
O barco vai me levar mais longe ainda. A noite em claro, a falta de sono, o desespero a cada chamada não atendida, ontem, prenunciaram o estado de abandono em que me encontro agora. A tristeza que me tomou a alma e faz chorar compulsivamente enquanto escrevo, seco lágrimas e escrevo, choro, novamente volto a escrever, vai passar.
Choro porque sinto. Choro por tudo que se foi. Por ter certeza de que aquelas novas poesias eram de verdade e não apenas ficção como você me levou a crer. “O poeta é um fingidor”, o Drummond disse e você me repetiu. Você queria me poupar. Mas não há como poupar os outros de certos fatos. Choro porque as coisas chegaram ao fim para mim somente hoje, nesta segunda-feira triste, depois de um final de semana não menos triste, mas cercado de loucura.
Eu não te procurei em outros braços, bocas e corpos. Porque eu sempre soube que não te acharia neles. Eu sempre, isso sim, preservei esperança de que um dia tudo pudesse voltar a ser real. Ou que eu pudesse novamente mergulhar nesse sonho bom que eu tive junto a você.
Mas “chega de repetir velhos padrões, virginiano”. Sim, eu também acho. Chega. Ponto. Acabou. Mas meu pobre coração chora porque acabou. Mas saiba que estou aliviada. Eu posso voltar a dormir tranqüila. Você já tem um outro alguém e isso te traz alento e a mim também, porque sei que não está desamparada.
Mas chegou ao fim as não vãs preocupações de minha parte, com a sua comida, com a sua doença, com a sua cura, com os seus remédios do corpo e da alma. As lembranças são muitas, você sabe. E quando revejo as nossas fotografias eu sorrio ao nos ver ali, lindas, unidas, sorrisos, amor.
É isso que eu quero guardar da gente, Menina Rosa. Eu não sei como vai ser amanhã e depois e depois. Hoje eu choro, mas porque é necessário. Não tenho fome, nem sede, nem força. Não tenho cabeça para estudar. Mas eu vou ficar bem. Deixa eu ir agora porque eu vou encontrar aquele moreno alto e lindo que você adora e que me coloca no colo sempre que eu preciso. Você sabe que ele vai cuidar de mim. “Cuide bem do seu amor, seja quem for”. Herbert Vianna disse e tenho dito. Adeus.