segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
“Parem de falar mal da rotina”
O ano passou rápido, mas parece que os dias de dezembro passaram vagarosamente.
Especialmente, quando estava mais próximo ao Natal.
Foi um mês de perdas e de ganhos. É o jogo da vida. Lembrei agora de um trecho de “What it takes”, no Steven Tyler cantando:
“Tell me what it takes to let you go
Tell me how the pain's supposed to go
Tell me how it is that you can sleep in the night
Without thinking you lost everything that was good
In your life to the toss of the dice
Tell me what it takes to let you go”
um rolar de dados...é, acho que é assim mesmo...
Está na hora de virar a página, de deixar as coisas acontecerem novamente.
De voltar à rotina de antes.
Semana passada, tomei um café especial com um amigo muito especial. Em meio àquela correria de pernas apressadas, rumo ao consumismo desenfreado do Natal, deveras exagerado, sentamos à mesa, tranquilamente, conversamos e pensamos em como pudemos ficar tanto tempo sem nos encontrarmos.
Falamos de livros e eu finalmente entreguei o que comprei de presente para ele, no Natal de 2008. Dois anos se passaram. Tempo, tempo, tempo. Essa frase me lembra alguém.
No dia 24, ajudei minha mãe com os preparativos da ceia.
Nossa ceia foi linda e especial. Eu, meus pais, meus irmãos e o aniversariante. Espero que ele tenha gostado da surpresa que fizemos.
No dia 25, fritei bolinhos de bacalhau, como faço todos os anos, mantendo a tradição.
Ontem, dia de dormir até mais tarde. Para não perder o costume. (Risos). Nesse calor, fica mais complicado, porque o ar condicionado pifou e eu acordo o tempo inteiro. À tarde, assisti uma palestra muito bacana e depois, como boa carioca que sou, fui passear na Lagoa e aproveitar para ver a árvore de natal.
Foi maravilhoso voltar à rotina, sair da toca, sentir a vibração da cidade, das pessoas, observar a bela vista do mirante em que eu me encontrava. Sentir o carinho e o respeito de quem ama a gente, quando mais precisamos de um colo. Foi tudo de bom.
Obrigada ao universo por permitir que eu tenha alguns anjos em minha vida, caminhando ao meu lado em todas as circunstâncias. Fazendo-se presentes em momentos-chave, muitas vezes, sem nem saber o quanto preciso daquele colo.
Aproveito as boas vibrações, para desejar aos meus poucos leitores, se é que os tenho, um ano novo repleto de paz, amor, saúde e prosperidade. Que tomemos consciência de que cada gesto nosso exerce influências sobre o todo universal. Que possamos amar mais e permitir que sejamos amados. Que compreendamos que TODOS somo UM.
Carinhosa.mente,
M.A.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
Ainda é possível dizer eu te amo?
Minha cabeça está fora daqui. Quando essa dor vai passar?
Hoje ela está menor, obviamente.
A noite também foi muito melhor. Eu dormi tão bem.
Estava sentindo falta disso. Pois eu deitei e desmaiei, assim, simplesmente. Depois acordei. Após um tempo, tornei a dormir.
São tantas surpresas a cada dia. São tantas novidades. Não estou dando conta.
Não era assim. Mas as pessoas mudam. Mudam mesmo.
E nos surpreendem.
Preciso sair daqui logo. Lembrei do Caio.
Posto aqui, parte de textos impreganados em minh'alma.
Eu ainda te amo. E sim, ele me faz lembrar de você.
***
Meu Deus, não sou muito forte, não tenho muito além de uma certa fé- não sei se em mim, se numa coisa que chamaria de justiça-cósmica ou a-coerência-final-de-todas-as-coisas. Preciso agora da tua mão sobre a minha cabeça. Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. Que eu continue alerta. Que, se necessário, eu possa ter novamente o impulso do vôo no momento exato. Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém. Livra-me dos poços e dos becos de mim, Senhor. Que meus olhos saibam continuar se alargando sempre.”
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
“Lá vem o amor, a nos dilacerar outra vez.”

Pernas trêmulas, mãos idem. Dirige aos prantos. Deseja chorar como se fosse a última vez. Desceu as escadas, se espatifou e ninguém viu. Vã tentativa de reconciliação. Ela não quer mais a sua insanidade. Ela não quer mais o seu abraço. Ela não quer mais você.
A vida andou, embora você não tenha experimentado o mesmo. Hoje ela compõe e você não quer ouvir suas palavras. Ela não sabe que você pensava ser uma poesia para ela. Como das outras vezes. Tanta inspiração. Já não tem mais hoje. Ela foi ríspida e incisiva porque tinha certeza que era uma poesia. Mas não é. Já era.
Lágrimas correm, coração saindo pela boca. Só queria sentir o perfume do seu cabelo. Sentir o seu corpo respirar. Mas não há mais nada. It’s over. Game over. A vida é um jogo. “Love is a losing game” a Amy disse, mas ela nunca acreditou.
Hoje ela entende que sim, a vida é um jogo de azar. E o amor? O que é o amor?
É assim que termina? Coração dilacerado, cabeça perdida, atropelamento de palavras. Como assim? E aquela paz? E aquele silêncio? E aquela respiração tua em meu peito? Ou a minha no teu peito?
Da primeira vez foi menos traumático. Não pode ser isso. E a reciprocidade? Se perdeu, nunca existiu, nos iludimos?
Por que essa dor não passa? Por que o corpo sente todas essas dores? Por que você se tortura querendo mais e mais e mais? Já não há mais. Acabou. Compreenda.
É impossível. Antes, admiração, carinho, docilidade, tranqüilidade, leveza, luz. Hoje, trevas. Escuridão total. Não enxergo nada.
É isso o amor? Preocupar-se mais com ela, do que com você?
Ela não almoçou. Você fica preocupada. E os nutrientes? Mas você também não almoçou.
Só tomou aquele cafezinho de manhã, antes das oito, quando ainda estava no divã. Ela não sabe disso. Afirma que seu caso é psiquiátrico. Não sabe de nada. Seria loucura? Ela também não sabe que você tem sentado no divã quase todos os dias, depois das noites mal dormidas. Como seu terapeuta tem sido paciente. Chora tanto, que chega a dormir. Ele deixa. Tudo, na busca de compreender a si mesma. Compreender como chegou a tal ponto de miséria humana. A ponto de implorar o seu abraço. Eles eram gratuitos. Dormiam de conchinha, enlaçadas.
Sua Cinderela já não existe mais. Tudo não passou de um sonho. Sonho lúcido? Ou devaneio? Ela não quer calçar a sapatilha de cristal. Mas é a cara dela. Você só queria isso. Ver como ficava no pé. Você comprou para ela. Ela pensa que você quer comprá-la. Tolice. Foi tão natural. Mas esse momento não é oportuno, ela alega. Não é hora de abrir o pacote. Em ocasião propícia, procederemos à troca de presentes.
Mas você não quer trocar presentes. Você não quer presentes. Você não quer nada material em troca. Você só quer amor. Indaga a si mesmo para quê tanto protocolo? Não entende o “deixe pra semana que vem”. Não vai haver semana que vem. Não há mais coração que agüente. A carne sangra, a cada aproximação. Porque esse é só o começo do fim da nossa vida. Da nossa vida a dois.
Image: Relativity - Stairs to nowhere - Mc Escher