segunda-feira, 27 de setembro de 2010

O amor à sétima arte me faz amar


Final de setembro, início de outubro. Está aberta a temporada de cinema no nosso Rio de Janeiro. Como todos os anos, o Festival de Cinema do Rio traz centenas de filmes de todos os gostos, cores e sabores para agradar a gregos e troianos.
Mais animada do que no ano passado, eu comprei ingressos para assistir alguns filmes. O primeiro deles foi “A última estação”, uma cinebiografia do escritor russo Leon Tolstoi. Belíssima projeção. Assisti no último sábado.
O filme trata sobre os últimos anos da vida de Tolstoi, um pregador incondicional do amor. Aristocrata de berço, ele compreendeu, com o caminhar da vida, que as coisas mais simples são as mais importantes. Optou, então, por uma trajetória desprovida de riquezas materiais, preferindo construir riquezas morais, deixando um legado importantíssimo para a humanidade, através de sua obra.
Baseado no livro “A última estação – os momentos finais de Tolstoi” (Parini, Jay. Ed. Record, 2009), o diretor Michael Hoffman fez uma bela reconstituição do início do século XX, desde os cenários, até a maquiagem e cenografia. Um belo retrato da Rússia nos anos 1900.
Saí emocionada, com vontade de ler todos os escritos do Tolstoi. Saí reverberando amor, sentindo o amor correr nas veias.
Eu mesma, por vezes, complico tanto as coisas. É preciso simplificar. Amar, perdoar, sentir, perder, ganhar, acrescentar com nobreza de alma e de coração. Pensar no todo, pensar nos outros, deixar de lado o véu do egoísmo que cobre os olhos.
Para amar em verdade, é preciso se libertar do medo de amar. Todas as formas de amar são válidas.
Fica a minha dica de filme aos amantes ou não, da sétima arte. Que venham os próximos!

“O homem ama porque o amor é a essência da sua alma.” (Leon Tolstoi)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Até quando?

Não basta a privação da cadeia, da vida lá fora, do sentimento de culpa, da tentativa de regeneração, da tentativa de ter nova chance.Não bastam apelos de entidades internacionais. Como gado, será marcada e abatida. Muito triste. :(

O Estado americano de Virgínia executará nesta quinta-feira Teresa Lewis, 41, condenada por auxiliar na morte de seu marido e enteado. Lewis será a primeira mulher executada em quase cem anos, em um caso que atraiu apelos da União Europeia e uma comparação do Irã com a iraniana Sakineh Ashtiani.

Lewis, que teria graves problemas de aprendizado, deve receber a injeção letal às 21h (em Brasília) no Centro de Correção Greensville, em Jarratt. Ela foi acusada de contratar assassinos de aluguel, aos quais ofereceu sexo, dinheiro e uma parte do seguro de vida, para matar os dois, em outubro de 2002.

Americana Teresa Lewis foi condenada a morte por ajudar no assassinato do marido;

Mesmo diante dos apelos internacionais contra a pena de morte, nem o governador Bob McDonnell, nem a Corte Suprema dos EUA quiseram intervir por Lewis. Seu advogado, pago pelo Estado, alegou que ela não tinha a inteligência necessária para organizar os assassinatos e que foi manipulada pelos assassinos, que seriam seus amantes.

Os defensores de Lewis dizem que ela é uma mulher mudada e que mesmo suas colegas de prisão dizem que ela é uma inspiração por sua fé e música gospel que canta no Centro de Correção para Mulheres Fluvanna.

Em uma carta a McDonnell, a UE pediu ao governador que alterasse sua sentença para prisão perpétua, citando a deficiência mental de Lewis, o que seria contrário aos padrões mínimos de direitos humanos.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, também apelou para o caso de Lewis, mas para rebater as duras críticas recebidas pelo caso da iraniana Ashtiani, condenada ao apedrejamento por adultério e participação no assassinato de seu marido. Ele denunciou um padrão duplo diante do "silêncio da mídia" sobre o caso de Lewis, que considera similar.

Lewis encontrou Rodney Fuller e Matthew Shallenberger em uma loja da rede de supermercados Wal-Mart, em Pittsylvania. Ela ofereceu sexo e dinheiro por armas que entregou aos assassinos contratados para matar seu marido, Julian Clifton Lewis Jr, e seu filho, Julian Lewis, que tinha um seguro de vido de US$ 250 mil em nome do pai.

Na noite anterior ao Halloween, em 2002, Shallenberger e Fuller entraram na casa e mataram os dois homens a tiros. Quando Julian ainda estava sangrando, deitado no chão, Lewis pegou a carteira do bolso de sua calça, tirou US$ 300 e deu aos assassinos.

Os advogados de Lewis alegam que Shallenberger admitiu ser o autor do crime e que enganou Lewis para conseguir parte do seguro de vida. Shallenberger cometeu suicídio na prisão, em 2006. Ele e Fuller foram sentenciados à prisão perpétua.

A execução de Lewis seria a primeira de uma mulher em Virgínia, segundo Estado americano com mais execuções, desde 1912. Texas foi o último Estado a matar uma condenada, em 2005.

Das mais de 1.200 pessoas condenadas à pena de morte desde 1976, quando a Suprema Corte dos EUA retomou a punição, apenas 11 eram mulheres.


Fonte: Folha Online - Mundo

domingo, 19 de setembro de 2010

Por uma nova perspectiva

Tenho a sensação de que o mundo está passando por um processo de transformação profundo, repleto de mudanças, não percebidas a olhos vistos, que podem apenas serem sentidas.
Sensação. Sentir. Sensível. Talvez um pouco subjetivo demais, no entanto, uma oportunidade que a maioria das pessoas desperdiça, preocupada com “ter” mais do que “ser”.
Esse sentir significa olhar o mundo com os olhos do coração, olhar as pessoas e ver além do que elas aparentam ser. As aparências enganam. É importante conhecer antes de julgar; Ter mais cuidado ao olhar o outro. Compreender mais, tolerar mais, reconhecer mais. A vida é uma oportunidade contínua de aperfeiçoamento.
Às vezes, me sinto um peixe fora d’água, um sentimento de não -pertencimento ao mundo. Às vezes, fico perplexa com certas atitudes do ser humano. Onde está a sensibilidade? Onde está a caridade? Onde está o entendimento?
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Não sei se sou sensível demais e ando me comportando de maneira inadequada aos moldes sociais. Há dois dias, me acometeu uma virose. Acordei bem, trabalhei, agradeci a Deus pela oportunidade de viver mais um dia de provas e expiações. Busquei passar todas elas com sabedoria, ouvi verdadeiramente os meus próximos, fiz trocas humanas saudáveis. Eis que, ao fim do dia, minha disposição caiu a zero, meu corpo mal respondia, dores, febre, mal estar geral e todas as características da virose: da cama para o banheiro, do banheiro para a cama.
No dia seguinte, liguei para o centro holístico que freqüento há quase dez anos, com freqüência semanal, a partir desse ano, e ao explicar que não poderia comparecer ao meu tratamento – porque impossibilitada de locomoção – recebi como resposta, minutos depois, que teria de pagar pelo mesmo, na próxima sessão, porque não desmarquei com 24 horas de antecedência. Mas eu me pergunto como desmarcar algo, se 24 horas antes, eu estava ótima, linda, bela e feliz. Sem o mínimo sinal de que algumas horas depois eu estaria de cama?
Cadê a sensibilidade? Onde está o respeito? Penso que como freqüentadora assídua do lugar, poderia haver um mínimo de compreensão da minha situação. Mas o dinheiro sempre em primeiro lugar.
Senti-me desrespeitada, desmerecida. Percebi que mesmo num centro holístico, eu sou uma mercadoria de troca. Não generalizo minha opinião, pois tenho certeza absoluta que outros profissionais que ali trabalham, não agem assim. Porque já fui atendida gratuitamente em outras ocasiões, por eles, e conheço sua postura. Mas a porta-voz do dono da casa age de forma equivocada, talvez instruída por ele ou talvez este nem saiba que ela faz isso. Tive vontade de abandonar tratamento, de abandonar tudo. Mas tenho que relevar e agir diferente, com sabedoria e diplomacia. Afinal, todos precisamos uns dos outros. Eu preciso deles. E eles também precisam de mim. Todos somos um.
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