quarta-feira, 6 de abril de 2011

Está chegando a hora


"Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso."

(C.F.A.)

...

Dia de visitar o passado. Dia de ser colo daqueles que me deram tanto colo um dia. Não vou esquecer. Não acasos. Dia de constatar que as coisas passam, as coisas mudam. Mas o amor permanece inalterado. O carinho e a preocupação também.

Talvez hoje, você me compreenda em minha preocupação, que tantas vezes, duvidou. Independente de qualquer coisa, me preocupo sim. Tenho meu momento mestre-cuca e lembro de você. Das andanças pelos corredores de supermercado. De ter que subir os quatro andares depois de horas na fila, risos.

Sua existência importa muito para mim. Não sei se faço mais parte dela, mas com você aprendi a ser mais e por tudo que se viveu, sim, você faz parte da minha. Aprendi a amar as mulheres, a admirá-las de uma forma que eu não fazia. De olhar seu conteúdo. De compreender a força de uma cantora no palco. Mais importante de tudo isso, de vê-las como aliadas, não como antagonistas. Isso é lindo.

A cumplicidade sempre foi tamanha. Em tudo. Hoje, eu percebi que ela permanece.

Refleti e ainda estou em processo de, e tudo que sei é que de algum modo, valeu muito a pena.

Sim, a vida dá voltas.

Quem sabe um dia?!

Meu coração trai a minha razão. Quando eu tinha 19 anos, uma amiga que tinha 26, sempre falava: "Coraçao burro da porra! Vou trocar você por um fígado". Eu não sei fazer isso.

Mas eu sou assim mesmo. Meu melhor amigo me acha sentimental. Para o meu primo, sou sensível demais. Eu por eu mesma, diria que vivo à flor da pele.

É a vida.

Dando sequência, Renato Russo.

“De tarde quero descansar

Chegar até a praia e ver

Se o vento ainda está forte

E vai ser bom subir nas pedras

Sei que faço isso pra esquecer

Eu deixo a onda me acertar

E o vento vai levando

Tudo embora...

Agora está tão longe

ver a linha do horizonte me distrai

Dos nossos planos é que tenho mais saudade

Quando olhávamos juntos

Na mesma direção

Aonde está você agora

Além de aqui dentro de mim...

Agimos certo sem querer

Foi só o tempo que errou

Vai ser difícil sem você

Porque você está comigo

O tempo todo

E quando vejo o mar

Existe algo que diz

Que a vida continua

E se entregar é uma bobagem...

Já que você não está aqui

O que posso fazer

É cuidar de mim

Quero ser feliz ao menos,

Lembra que o plano

Era ficarmos bem...

Olha só o que eu achei

Cavalos-marinhos...”

(Vento no Litoral – Renato Russo)

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