segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Ainda é possível dizer eu te amo?

Eu aqui, perdida, nessa sala gélida, fria. Lá fora todo aquele calor. Não consigo terminar meu texto. só faço pensar, pensar e pensar.
Minha cabeça está fora daqui. Quando essa dor vai passar?
Hoje ela está menor, obviamente.
A noite também foi muito melhor. Eu dormi tão bem.
Estava sentindo falta disso. Pois eu deitei e desmaiei, assim, simplesmente. Depois acordei. Após um tempo, tornei a dormir.
São tantas surpresas a cada dia. São tantas novidades. Não estou dando conta.
Não era assim. Mas as pessoas mudam. Mudam mesmo.
E nos surpreendem.

Preciso sair daqui logo. Lembrei do Caio.

Posto aqui, parte de textos impreganados em minh'alma.
Eu ainda te amo. E sim, ele me faz lembrar de você.

“Eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Pois isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando numa porção de coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis que precisam ser ditas, não faça essa cara de espanto, elas são realmente terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, se você teria, não sei, disponibilidade suficiente para ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouví-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e, se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende?

***
Meu Deus, não sou muito forte, não tenho muito além de uma certa fé- não sei se em mim, se numa coisa que chamaria de justiça-cósmica ou a-coerência-final-de-todas-as-coisas. Preciso agora da tua mão sobre a minha cabeça. Que eu não perca a capacidade de amar, de ver, de sentir. Que eu continue alerta. Que, se necessário, eu possa ter novamente o impulso do vôo no momento exato. Que eu não me perca, que eu não me fira, que não me firam, que eu não fira ninguém. Livra-me dos poços e dos becos de mim, Senhor. Que meus olhos saibam continuar se alargando sempre.”

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