terça-feira, 11 de outubro de 2011

Pra clarear


Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. (Clarice Lispector)


Acordei com o vento berrando em meus ouvidos. Pensei que era muito cedo para levantar e não queria. Sua força lá fora me fez sentir, mais uma vez, o poder das manifestações da natureza. Me fez sentir pequena. Me fez sentir limitada.

Portas e janelas batiam em toda a casa. Levantei a contragosto, afinal, demorei tanto adormecer que só Deus sabe. Fui fechando cada porta e cada janela. Eu havia feito o mesmo ontem a noite, depois daquela mensagem. Não é fácil fechar as portas e as janelas da vida. É doloroso demais.

O vento lá fora é potente. Ele prenuncia a tempestade. Hoje é dia de festa e mais uma vez, compreendo que não temos poder sobre nada. Podemos organizar tudo, meticulosamente. Mas não podemos controlar nada. Existem coisas que nos fogem ao controle. Que não dependem de nós. Assim é a vida, assim são os sentimentos.

Uma amiga sempre me diz: “- Percebi que não tenho controle sobre nada”. Hoje, eu pude comprovar isso, mais uma vez. Apesar do esforço empreendido, falhei. Ou falhamos?

A vida, assim como a natureza, depende de diversos fatores para estar nos eixos. Para que se obtenha êxito.

É tempestade lá fora. É tempestade em meu coração. É água jorrando para lavar e limpar. As dores, os amores, meu caminho. Como disse o Lobão: “Chove lá fora e aqui, faz tanto frio”.

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