sábado, 10 de dezembro de 2011

Vago nua no espaço


Perdi o sono. Tentei ouvir o maior tradutor do Dostoiévski em português mas as palavras entraram e saíram sem sentido aqui dentro. Há certas coisas que desarmam a gente.
Estava aqui, tranquila, sossegada, tentando me acalmar, depois desse susto muito louco que tomei, quando, pela primeira vez na vida, experimentei a possibilidade da morte.
Ainda desnorteada, sou tomada de assalto por suas palavras. Não compreendo ao certo o que se passou.
O dito antes já não tem mais valor. Agora mesmo tudo se perdeu.
Surpresa que vem e me leva embora a outro lugar...saio de órbita e estou a vagar.
Sentimentos nus, palavras ao vento.
É ferida aberta, que sangra a carne e corta o coração.
Sim, tudo se perdeu. E eu não me dei conta.
Minha alma imoral transita entre céu e inferno.
Meus olhos, ao longe, nada vêem.
Enfim, todas as possibilidades do amor se findaram.
Senti um soco em meu peito.
Ou um corte seco, terá sido?
Não sei...
não sei de mais nada.
Meu choro não tem voz.
"Só sei que nada sei"


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