
Não, minha pupila. Errante não. O adjetivo não é esse.
A vida dá muitas voltas e nós duas somos a prova viva disso. Experimentamos tempos de paz, depois de muita ausência de luz. Por um momento, nos perdemos em meio a selva, nos sentimos sozinhas, incapazes, impotentes.
Mas no fim do túnel existia uma luz. Estávamos tão acostumadas àquela escuridão vazia e fria, que a primeira tentativa, foi difícil abrir os olhos. Precisamos nos acostumar novamente a condição de que estávamos na presença da luz, que agora nos cegava.
Mas aos poucos, nossas retinas foram voltando ao normal, acostumando-se a condição que outrora um dia havíamos vivido.
Percebemos que aquele caminho de trevas era passageiro. Hoje, vitoriosas, podemos ter orgulho de ter passado por tudo o que passamos. Ficamos mais fortes, amadurecemos.
No meu caso, a paciência foi tremendamente testada. Sinto-me mais tranqüila. Já não surto. Quando os sintomas vêm, eu trato de combater. Descarrego no meu intenso sono. Por isso não largo meu travesseiro. Talvez agora você me compreenda. Eu o carrego porque nele eu adormeço dentro de mim mesma.
O monstro que me assombrava foi embora. Eu mandei ele embora. Eu demorei a perceber que ele permanecia aqui porque eu demonstrava ter medo dele. Quando eu enfrentei, ele percebeu que não adiantava mais perder tempo tentando me assustar e foi assim, saindo de fininho. Porque eu já estava fazendo com que ele se tornasse bom. Aí ele resolveu se mandar, antes que eu o convencesse.
Esse é o caminho, pequena pupila. Suas palavras aquecem o meu coração e me trazem alento. O carinho e o cuidado demonstram a preocupação de quem ama.
Oyá nos proteja. Oxalá nos abençoe. A jornada continua. Amanhã será outro dia. E vai ser lindo, porque eu já estou mentalizando tudo lindo para nós. E chega de fantasmas e medos e arrepios. E sim:
“Que dance a linda Flor girando por aí
Sonhando com amor sem dor, amor de Flor
Querendo a Flor que é, no sonho a Flor que vem
Ser duplamente Flor, encanta,colore e faz bem”
(Maria Gadú)
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