
“O amor é uma puta”. A frase me chocou. Queria entender porque dois amigos estavam insistindo em falar isso. Não cheguei a perguntar o porquê de estarem falando isso ou o qual o significado. Apenas ouvi e guardei.
Mas a frase não me saiu da cabeça. Uma palavra tão doce como “amor”, ao lado de outra, tão dura, “puta”. Recorri ao dicionário. Porque “puta” é uma palavra recorrente, sabemos o seu significado, mas eu queria me certificar linguisticamente sobre isso. Geralmente associada à prostituição, segundo Houaiss, seu significado é indivíduo devasso, sacana; mau caráter.
Então o amor é mau caráter? Meus amigos sofreram desilusões amorosas e então chegaram à conclusão de que o amor é uma puta por isso? Não querem mais acreditar no amor? O amor é cruel? O amor entre duas pessoas não existe? Surgiram mil pontos de interrogação.
Nas minhas reflexões, venho tentando compreender tal afirmação. Percebi que em alguns momentos, ao longo da existência, o amor, de fato, é uma puta. Porque é capaz de despertar as melhores sensações, mas também, as piores.
Ele pode ser um sonho e depois virar um pesadelo. Pode ser o motivo de muito riso e depois de muito pranto. Será uma antítese? Será o amor maniqueísta? Na atual conjuntura da minha vida, cheguei à conclusão de que o amor é uma puta. Porque sacana.
Faz um tempo, ganhei de presente de aniversário uma poesia, que me descrevia e um dos versos dizia que “por amor, eu faço qualquer coisa”. E quando amo, eu me lanço e faço qualquer coisa mesmo. Por ser assim, cometi os maiores erros da minha vida e estou pagando por eles. Muitas vezes, nos últimos quatro meses, pós-término de namoro, eu tentei arrancar o sentimento do peito, em vão. Impossível. Eu não sabia que ele era uma puta, mas estava sofrendo demais e não conseguia parar com isso. Não estava percebendo seu mau-caratismo.
E continuei repetindo erros do passado, insistindo num sentimento unilateral. Continuava a me preocupar com a outra pessoa, a querer proporcionar um alento, a amenizar as dores, a fazê-la sorrir em meio ao caos. Me ferrei. Descobri que não sou capaz de fazer isso, que não posso fazer ninguém feliz a menos que esse certo alguém queira ser feliz. Não sou capaz de minimizar a solidão de ninguém.
Imaginava um futuro lindo, cheio de fogos de artifício, repleto de vitórias e voltas por cima. Me ferrei. Acreditava que poderia haver um recomeço num relacionamento futuro e quebrei a cara.
Agora sim, meus amigos, eu consigo compreender a que vocês estavam se referindo. Observando nossas trajetórias, com desilusões amorosas e danças da solidão, o pessimismo tomou conta de nosso ser e hoje, neste momento, as porradas são tão grandes, que não acreditamos mais no amor e afirmamos, aos berros, que o amor é uma puta. Sim, eu agora me junto ao coro de vocês e berro: “o amor é uma puta”. Porque nos trapaceia e arrasa conosco. Porque permite que interpretemos papéis de palhaços, nos teatros da vida.
Mas agora a peça saiu de cartaz. E recuso qualquer tentativa de interpretar o papel de palhaça. Também não quero ser a vilã, muito menos a mocinha. Quero interpretar um papel equilibrado, apto a lidar com as alegrias e tristezas da vida.
Meu movimento já começou. Todos somos um. E o amor vem vindo logo ali, em sua melhor faceta, a da forte afeição por outra pessoa. Lá vem o amor e ele não vai nos dilacerar outra vez.
Image: Across the universe
Nenhum comentário:
Postar um comentário