
Acordei como de costume, exceto pelo cansaço maior da festa de formatura da noite anterior. Eu desejei muitas coisas, mas talvez esse fosse algo mais complexo de se conseguir.
O dia correu, tive meus pensamentos existenciais, como de costume, ouvi Renato no carro, visitei meu melhor amigo, brinquei com todos os animais a minha volta, estava feliz.
Mas o desejo permanecia. Quando a gente ama, quer ficar perto. É teimoso demais. Não consegue separar razão de emoção. Parece que permanecemos na vã e infantil ilusão, aquela de sempre, que nos aprisiona, que nos impede de ver beleza em outrem. A beleza de quem a gente ama é o bastante.
Parece que as pessoas perderam o sal ou fui eu quem perdi? O sal, aquele temperinho que faz toda a diferença ao final do processo de manufatura daquela comidinha que você tanto gosta.
E o desejo a permanecer. Cedo ou cedo? Resolvo ligar. Ah sim, meu desejo: arrastar o ser amado para uma noite inesquecível, desprovida de problemas ou amargores, repleta de luz, música para dançar, num ambiente com nossos pares, dissolver os problemas como pó no ar, mesmo apenas, que por algum tempo. Obtive um sim, meio incerto, talvez duvidoso. O sim de quem não quer se entregar, assim, meio de lado.
Me arrependo e decido voltar atrás. Por que insistimos em forçar a barra? O universo encarregou-se de promover essa separação. Ou fomos nós que nos separamos de nós mesmos? Não entendo esse sentimento que me domina, que me faz ter vontade de ficar perto, de tentar outra vez, que nem na canção do Raul Seixas.
Mas agora o convite está posto. Eu recebi um sim. Não posso voltar atrás. Ela ficou tão animada. Ela resolver sair da toca. Ela topou.
Quando um não quer, dois não brigam, já dizia o dito popular, que alguém sempre me faz lembrar. Vambora.
Coração acelerado, espera ansiosa, surpresas por vir. Minha, mas também tua.
Agora a turma está completa. Amigos queridos por perto, a noite promete. Em cima dos saltos, nossos pezinhos balançam, rodopiam ao som da música que toca. Eu estou completamente sóbria, atenta a todos os movimentos.
Te ver dançar é algo sublime. Meu desejo realizou. Verbo intransitivo? Acho que não, mas quero que seja sim. Dançou. Realizou. Te ver feliz me deixa feliz. Te ver sorrir me faz sorrir. Ah! Lá vem o amor a nos dilacerar de novo?
Não, sem dramas. Somos adultas. O diálogo norteou esse encontro. Ele só foi possível graças a nossa cumplicidade, amizade, compreensão mútua. Agora estamos aqui, sós, embora cercadas por tudo e todos que nos rodeiam. É tão bom sentir isso. É tão bom beijar você. É tão bom ser beijada por você.
Olho. Não acredito no que vejo. Será um sonho? Ou apenas um fragmento da realidade que eu gostaria de viver? Não sei. Sei apenas que estou tranqüila. Que estou bem, obrigada. Ao menos, não foi um pesadelo. Mas um sonho lindo.
A Alice nos faz dançar. Seu chá nos entorpeceu. Quantas portas teremos que abrir e fechar? Em qual porta entrar? Onde nos perdemos? Por que esse labirinto nos une?
Não sei.
- Só sei que nada sei. – respondeu-me Platão.
É, talvez seja isso. Talvez não saibamos de nada. Vamos deixar o rio correr, as águas, a nos levarem em seu curso. E seus recursos hídricos? Isso te lembra alguma coisa?
Espero que sim. De tudo de bom e de ruim que já passou. E do tudo maravilhoso que está por vir. A vida é linda. Não vamos nos magoar. É tempo de crescer. Quero ser feliz demais. Você vem comigo?
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