quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ao nascer do dia

Movimento...Inspiração. Inspire...expire...repita esse processo algumas vezes, até relaxar. Mentalize o sol nascente, o canto dos pássaros, “desligue-se” lentamente do ambiente ao seu redor e relaxe por alguns minutos.
Na agitação cotidiana, relaxar, meditar, respirar lentamente, sentindo cada movimento tem sido algo muito difícil. Mas não, impossível. Vez ou outra, me pego conseguindo meditar. É preciso tentar. Sempre.
Depois de alguns dias imersos no mundo real, a inspiração vem. Acordo em meio ao canto dos pássaros, observando pelas frestas das persianas, a noite transformando-se em dia. Uma manhã fria de quinta-feira. Quase oito horas muito bem dormidas e ininterruptas. Maravilha. Meus felinos aqueciam o meu pé, porque a manta, o cobertor e o edredon estavam em todos os lugares, menos, sobre mim. Com meus pés quentes, eu consigo dormir e esquecer a sensação térmica do frio em meu corpo.
Relembrei do meu final de semana especial. Estar reunido com amigos é sempre muito bom. Amigos fiéis, de verdade, carne e osso, aqueles da alegria, mas principalmente, da tristeza. Pois as circunstâncias da vida permitiram que eu estivesse ao lado de pessoas especiais e que considero muito: minhas amigas de pré-vestibular. Sempre que temos tempo, arrumamos uma brecha em meio ao caos e nos vemos. Mas o fim de semana foi especial. Porque foi uma quase-noite do pijama, quando as menininhas se reúnem Para trocar figurinhas, separam seus pijamas, novidades, assuntos e vão dormir na casa de uma delas. Coisa de menininha, que a gente vê nos filmes. Pois foi exatamente assim que aconteceu. Sai na sexta chuvosa do trabalho, encontrei a primeira, buscamos a segunda e nos dirigimos para a casa da anfitriã, que nos esperava com alegria. Não havia planos, deixaríamos o barco nos levar... À nossa disposição: filmes, livros, pipoca e principalmente, amizade. Relembramos o passado, rimos das histórias engraçadas do pré-vestibular, fizemos uma sessão nostalgia muito bacana, tudo assim, fluindo, sem planejamento, deixando acontecer, acontecendo. O que seria uma noite, virou um final de semana cheio de partilhas, conversas francas e sinceras, surpresas, alegria. Lembrei do “Juventude”, de Domingos de Oliveira e pensei que mais tarde, daqui a muitos anos, espero repetir esse encontro, espero estar perto das minhas amigas especiais e voltar a ser criança. Isso sim, é viver.

Pra não esquecer, um trecho do Caio Fernando.

“Mas era um homem recém-nascido quando voltou-se devagar, num giro de cento e oitenta graus sobre os próprios pés, para deslizar as costas pela sacada até ficar de joelhos sobre os ladrilhos escuros, as mãos postas sobre o sexo.
Abriu os dedos. Absolutamente calmo, absolutamente claro, absolutamente só enquanto considerava atento, observando os canteiros de cimento: será possível plantar morangos aqui? Ou se não aqui, procurar algum lugar em outro lugar? Frescos morangos vivos vermelhos.
Achava que sim.
Que sim.
Sim.”

Um comentário:

  1. Que lindo te ler nesta quente quinta feira deste verao mais quente desde 1880-segundo o NYTIMES.
    Assisti ao filme de 2003" under the tucan sun" e lembrei de voce.Lembro de voce quando vejo um filme que me emociona,pois voce e' muito sensivel e com certeza gostaria tambem.Ele fala do amor,da necessidade de manter a nossa crianca viva,sempre!
    Fiquei feliz que teve um otimo final de semana.Tem toda razao! Viver bem e'estar com quem gostamos e quem gosta de nosotros(soa melhor em espanhol,nao?parece mais...)
    Irei colocar o clipe do filme no seu orkut de 1984...rs.
    LOVE YOU!

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