
Para Walter, que acende as minhas anteninhas, quando elas insistem em apagar.
Ao som de Gluck - Dance of the blessed spirits (Amo essa composição!)
Acabo de lembrar o sonho que tive essa noite. Eu estava no colégio! Pasmem! Matava aula pra ficar namorando e perdia o tempo. O curioso é que no sonho não havia inspetores a fim de me proibir a faceta. Eu ficava tranqüila e calma num canto do pátio. Que loucura. Como a mente da gente é tão complexa.
Depois, no próximo tempo de aula, lá estava eu, sentada na carteira e esperando o professor. Freud explica. Amores reprimidos? Censura zero? Acho que é isso.
Acordei ainda há pouco. O dia está lindo. Um sol maravilhoso. Mas minha garganta dói um pouco.
Cai da cama com o despertador de outrem. Quando estava levantando-me para ir trabalhar, lembrei que hoje é sábado. Sossega, Manoela.
Nossas vidas são tão frenéticas. O relógio tenta me controlar o tempo inteiro. Mas eu não permito essa ousadia da parte dele não. Detesto fazer as coisas correndo. Outro dia, percebi que toda vez que entrava no carro e pegava no volante, eu estava desesperada para chegar aos destinos. Mas que pressa, meu Deus!
Pra quê isso? Eu que acorde mais cedo (mas eu não sou fã de acordar cedo), saia mais cedo e dirija mais tranqüila. Parece que estamos o tempo inteiro nessa velocidade que nos assalta e faz reféns. Isso é doentio. E acho que não estou sozinha.
Observo as pessoas o tempo inteiro correndo, comentando sobre a falta desse, deixando de poder viver as coisas mais bacanas da vida, devido a correria da vida cotidiana. Trabalho, estudo, faculdade, filhos, casamento, trânsito.
E a cada dia, tenho mais certeza de que é preciso apreciar as coisas mais simples, pois são as que nos fazem mais felizes.
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Janeiro terminou, fevereiro está entrando e a hora do descanso terminou. Foi produtivo, repleto de muita reflexão, constatação, calmaria. Coração mais tranqüilo. Deixa o barco correr, deixa a vida levar.
Amor não se compra, se conquista. A frase parece clichê mas não penso que seja. Quero amar, quero amor. Quero meu coração sossegado. Não quero idas e vindas, quero sossego, como Tim Maia cantava.
Estou tentando. Até quando, não sei, mas estou. Até quando o coração quiser. Até quando a razão começar a falar mais alto. Porque eu quero ser feliz demais. Eu e o mundo. E nós temos o direito de ser felizes.
Sem amor, nada seríamos.
Acho que 2011 começa de fato, agora. É hora de sair a velejar, começar o movimento pelas coisas boas, pelas conquistas. O mar não vai estar sempre calmo, como agora. Enfrentarei tempestades, eu sei. Mas estou preparada para as águas que virão. Já consertei as velas, reformei o casco do barco, pintei de azul e branco, retoquei o ‘Morangos Mofados’ da proa, desenhei estrelas na popa, conferi as âncoras a fim de parar quando for necessário. A cabine já está arrumada, simples, mas aconchegante. Os livros já estão lá, serão meus companheiros nessa jornada. O tempo chegou. Não há mais o que esperar. Alguns estarão comigo. Outros ficarão definitivamente para trás, porque o momento é esse. Deixa eu ir, fazer as coisas devagar, faltam apenas algumas horas para o embarque.
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